19
jul 12

11º Festival Vaca Amarela

Vacas Amarelas de Cabo Verde


Texto e Arte por Oscar Fortunato

 

Quando os índios, cansados dos banquetes de carnes de macacos, cobras, jacarés e portugueses, avistaram aqueles “montes de carne”, mal conseguiram dormir direito. Chegavam de Cabo Verde os primeiros ruminantes que, em pouco tempo, tomariam conta da paisagem.

Mas a fila dos fast-food anda, literalmente cronometrada e dependente das descendentes daquelas caboverdianas que fascinaram nossos silvícolas, na aurora desta tosca República. E as vacas foram se multiplicando, obedecendo com rigor o preceito biblíco, a ponto de existirem mais delas do que nós, nessa terra varonil; embora a maioria delas terminará em uma mesa perto de você.

Caluniadas e difamadas, essas senhoras cornudas, cansadas de seus trágicos finais, invadiram nosso mundo lúdico com suas caras simpáticas e orelhas imensas. Existem ainda aqueles que se divertem com seus sofrimentos, mas como diria meu amigo maestro “você pode tirar o homem de Mozarlândia, mas não pode tirar Mozarlândia do homem”. Como vegetariano, tenho as vacas da mesma maneira que um elefante, pois não vejo neles o pão que sacia a minha fome. E sempre tive carinho com elas. Sempre as achei simpáticas, sejam pretas, brancas, azuis ou até mesmo a saltadora pasoliniana que dá nome a este festival.

Em todo o meu trabalho, tenho o dito do maestro como guia. Não quero fugir da minha Mozarlândia. Pode ser que meus buritis tenham poucos sabiás e que as aves nem gorjeiem como as de lá, mas entendo seus cantos e suas lamúrias e eles fazem sentido ao coração, pois o que vai pela cabeça nem sempre o faz. Nessa lógica, me apropriei das máscaras de chifres ornados que colorem as Cavalhadas, evento de origem pagã que incrivelmente resistiu ao tempo nesse lugar em que as ruínas são mais velozes. Juntei um pouco de rock e arte de rua para chegar na imagem que, na minha concepção iconográfica, somasse todo o meu discurso. E acredito ter alcançado o meu intento. Repetindo mais uma vez meu amigo regente “Fugir de Mozarlândia é besteira…”

 

 

Mais sobre o Festival Vaca Amarela

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14
jul 12

Conheça mais sobre Samuel Casal

Gravadores brasileiros. Experientes e novíssimos. No Starte, da Globo News.

http://globotv.globo.com/globo-news/starte/t/todos-os-videos/v/samuel-casal-mostra-a-importancia-da-gravura-nas-artes-plasticas/2035146/

 


05
jul 12

O “novo” Zoo de Goiânia

Texto e foto de Oscar Fortunato 

 

Hoje fui ao “novo” Zoológico do alcaide Paulo Garcia. Doenças, maus tratos – que resultaram na perda de mais da metade de seu plantel –  e, lógico, um ou outro que não pode frequentar o requintado estabelecimento do senhor Fritz, o inefável do Açougue Irmãos Staden. A reforma, que durou uma eternidade, em nada mudou a vida miserável dos pobres animais que desperdiçam suas existências para o gáudio dos abobalhados extra-vidros, eu e minhas crias aumentando essa triste conta. Curiosidades sempre tiveram preços altos e nem sempre quem paga é o curioso. Acho que zoológicos como o nosso deveriam envergonhar qualquer pessoa. Percebe-se nos animais, especialmente nas aves e nos felinos, uma tristeza desesperadora. Olham nos olhos daqueles que conseguem enxergar. Mudaram as jaulas. Parece que contrataram um desses moços casacor para dar um tapa no habitat e o resultado é uma instalação de gosto duvidoso que a maioria dos animais apenas a utiliza para ter certeza de que fizeram tal coisa. Tiraram as grades. Sim, tiraram e colocaram um vidro de 15 milímetros que, pelo jeito, foi o mais vagabundo possível. Os vidros embaçam e, dependendo da hora do dia, apenas o enjaulado consegue te ver, como naqueles filmes americanos. O vidro embaçado exige muita imaginação para ver o casal de babuínos sagrados, a mesma imaginação necessária para ler uma placa enferrujada a 140 km por hora debaixo de uma tempestade à noite entre Mundo Novo e Mozarlândia. Poucos tentaram. As ariranhas agora têm total privacidade graças ao vidro opaco. Sempre achei que houvesse uma manada de hipopótamos lá mas, para minha surpresa, apenas conseguimos ver um casal. Talvez aquele já mencionado admirador dos produtos do comércio de nosso bravo alemão e, não dispondo de muitas posses para se aventurar em uma orgia gastronômica, tenha surrupiado e comido alguns deles. Não se assuste, estamos em um lugar em que é muito comum o consumo de antas, capivaras, tatus, tamanduás, emas, teiús e outras coisas que pulam, voam ou rastejam.