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VANITAS

 

 

Vanitas é um happening promovido anualmente pela Plus Galeria no dia 02 de novembro, feriado de Finados, e que já está em sua terceira edição.

O Happening acontece apenas nesse dia, e este ano será realizado na Plus Galeria que fica na rua 114, nº 70 do Setor Sul, em Goiânia.

Será composto por três partes:

– Obras de Arte com o tema “Vanitas” (caveiras), expostas e à venda. Serão aproximadamente 30 obras de 13 artistas plásticos brasileiros: Adão Iturrusgarai, Carlos Rezende, El Mendez, Leandro Dário, Lupe, Marcelo Peralta, Mitsuo Kushida, Oscar Fortunato, Ramon Rodrigues, Rustoff, Sabrina Eras, Samuel Casal e Zé Otávio. Os preços começam em 50 reais e vão até 2800 reais.

– Serigrafada dos artistas Oscar Fortunato e Marcelo Peralta. Oscar Fortunato disponibilizará duas artes de caveira e Marcelo Peralta, uma. As serigrafias são feitas na hora pelos artistas em camisetas trazidas pelas pessoas e custam R$ 20,00 cada impressão.

 

Artes dos extremos de Oscar Fortunato. Arte do meio de Marcelo Peralta.

 

 

– Premiação via Instagram. Durante o evento, os visitantes serão convidados a fotografarem na Plus Galeria, e postarem no Instagram com a hashtag do evento. A melhor foto será premiada com uma obra de Arte.

 

Obra de Oscar Fortunato, premiação para a melhor fotografia tirada durante o evento e postada no Instagram, sob a hashtag #vanitasplusgaleria

 

O evento contará ainda com o serviço promovido pela Objeto Encontrado, de Brasília, especializada em cafés de qualidade, que estará em Goiânia especialmente para a ocasião, comercializando guloseimas temáticas e bebidas.

A intenção do Happening segue com o conceito da Plus Galeria: despertar o interesse pelas Artes Plásticas, de forma acessível e atual.

A Plus Galeria trabalha hoje com 17 artistas brasileiros, todos profissionais, sob a curadoria de Lydia Himmen.

A Plus Galeria funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, onlinewww.plusgaleria.com , com seus preços divulgados abertamente, para artistas, clientes, admiradores e curiosos.

 

SERVIÇO:
Vanitas, Happening
O quê: Obras de Arte com o tema Vanitas (caveira) , à venda.
Quando: 02 de novembro, 2012. Das 16h às 21h
Onde: Plus. Rua 114, 70. Setor Sul. Google Maps
Quanto: Entrada franca. Obras de Arte com preços de R$ 50,00 a R$ 2.800,00. Serigrafada: R$ 20,00 cada impressão. Café, bebidas e guloseimas temáticas por Objeto Encontrado, à venda.
Email: contato@plusgaleria.com

 

 

Detalhe obra de Lupe, especial para Vanitas

 

VANITAS, por Larissa Siqueira

“Se a impressão que uma imagem causa é a marca de seu poder mágico, a caveira é uma feiticeira por excelência. Um dos símbolos mais antigos e fascinantes da imagética humana, sempre assume ares de protagonismo em qualquer manifestação que apareça. De objeto de culto a símbolo macabro, nunca passa despercebida. Magnetiza ou amedronta.

Nos primórdios da raça humana, entre os antigos povos ancestrais, já era adorada em rituais e usada em invocações como símbolo de conexão com os antepassados. Captando as imagens do inconsciente primitivo, as religiões e a arte desde sempre, plasmam em forma de símbolos o terrível mistério da morte e o medo de transpor esse limiar. E a caixa que envolve o cérebro, a parte mais notável do esqueleto, é a representação críptica dessa realidade inexorável.

A saga da caveira ao longo dos tempos foi ascendente e evolutiva. Tem-se notícia de sua manifestação artística na Roma antiga, na Europa medieval, nos desenhos dos grandes anatomistas, nas artes funerárias, no aviso de perigo da bandeira dos piratas, nos motivos Vanitas, no folclore mexicano, no universo Underground, no Pop Surrealismo atual e agora mais que nunca, como símbolo fashion nas passarelas de todo o mundo.

De estigma sinistro à clássico da moda, ela conseguiu refletir o desenvolvimento da nossa própria compreensão coletiva sobre a perenidade da vida e a superficialidade de uma existência centrada apenas no efêmero plano material. É mais abrangente e acessível, mas continua misteriosa. Mesmo em seu momento mais popular, presente inclusive na vida daqueles que absorvem os símbolos conforme lhe são oferecidos pelo espírito da época, a caveira tem seus preferidos. Atrai e se sente atraída por aqueles que aceitam o chamado da introspecção. Ali, por trás de todo seu glamour gótico, existe um confronto devastador onde o que morre são os aspectos iludidos do ser. A caveira é a cara do desapego. Ela representa a conquista daqueles que um dia morreram para o seu ego.

O encontro com essa deusa feminina e primordial petrifica e lapida a consciência. Confronta nosso lado solar, triunfalista e iluminado com a realidade brutal da vida, da natureza e dos instintos. O Eu é arrebatado de sua onisciência e se vê enfrentando um obscuro poder inconsciente.

Neste processo de tanatologia psicológica, as miragens se esfumaçam. A aniquilação do ego promove sensações de frustração, finitude e impossibilidade, mas engendra uma transformação evolutiva. Morrendo várias vezes e renascendo sobre si mesmo, o ser humano adquire sabedoria, instinto de sobrevivência e um enorme poder psíquico. Além disso, já não necessita de identificação com o coletivo, seu retrato é o da interioridade. Naturalmente a imagem da caveira reflete esta experiência, pois é a essência por detrás de todas as aparências e excessos.

Enquanto ela abarca o cérebro e o protege, figura o núcleo inquebrável e mais resistente de nossa personalidade. Nela se vê a camada mais autêntica, sobrevivente a todas as versões adaptativas. Ela acha graça de tantas máscaras. Ri com ironia de tudo que é superficial e bonitinho demais. Os abismos da psique lhe interessam mais. Quem gosta de luz é o olho. A caveira é mestra da escuridão. Nunca aparece e sempre está. Ingenuidade e alienação não lhe dizem respeito, mas a verdade visceral que assusta, dói e também liberta. Através de suas órbitas vazias e abismais que evocam o infinito cósmico, ela conhece segredos que a maioria ignora.
Este flerte inevitável com a pálida musa das sombras está no mapa pessoal dos que por algum motivo são levados a se apartar do comum. Talvez por isso a caveira seja a diva do Underground.

A noite é escura. Plutão reina e o portal entre os mundos está prestes a se abrir… Quando vêm chegando os escorpiões zodiacais, ao final de Outubro e no Sabbat de Novembro, as bruxas celebram, os desencarnados são lembrados com carinho e a própria natureza entra em processo de transmutação. Então a caveira emerge no coletivo para lembrar que só a morte permite a continuação da vida.

Quando o impulso humano cria a figura da caveira em sua cultura, antes de tudo traduz um instinto. Materializa a alma gerando imagens sublimes de profundidade, sofrimento e eternidade. Palavras que também definem o amor. Eros e Thanatos são deuses complementares e atuam por vias sinuosas e similares. A caveira entende a conexão. É romântica, zombeteira e divertida. Sabe que a vida é irônica e que a morte da inconsciência é o nascimento do verdadeiro destino.”

 

 

Detalhe, obra de Sabrina Eras especial para Vanitas 2012

 

 

Detalhe, canvas 60 x 50 cm de Rustoff especial para Vanitas 2012

 

 

Detalhe, canvas 1,70 x 1,70 m de Marcelo Peralta especial para Vanitas 2012