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maio 16

Pizza e Jazz, segunda edição

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Galeria promove happy hour com jazz e pizza no feriado
 
Haverá ainda lançamento de nova série de gravuras do artista goiano Marcellus Nishimoto. A discotecagem é de Oscar Fortunato
 
Nesta quinta-feira (26, feriado de Corpus Christ), a partir das 18h30, a Plus Galeria de Arte lança uma nova série de gravuras do artista plástico goiano Marcellus Nishimoto. O evento conta ainda com a participação do pizzaiolo Gabriel Lotufo, que fará pizzas lacto-vegetarianas e veganas (sem produtos de origem animal, como leite e ovos) no forno à lenha.
 
Além do acervo da galeria, que conta com obras de mais de 20 artistas brasileiros, também está em cartaz a exposição do cartunista André Dahmer. A mostra reúne mais de 30 obras do carioca e fica na galeria até 30 de junho.
 
Azulejos antigos serigrafados por Oscar Fortunato e a nova série de adesivos do artista estarão disponíveis a preços especiais durante o evento. Fortunato também será o responsável pela trilha sonora, e vai tocar uma seleção de discos de jazz de sua coleção particular de vinis. “O jazz vai ficar por minha conta, mas não me chamem de DJ”, reforça.
 
SERVIÇO
O quê: Pizza e Jazz na Plus Galeria
Quando: Quinta-feira (26), das 18h30 às 22h
Onde: Plus Galeria (Rua 114, nº 70, Setor Sul – Goiânia)
Quanto: Entrada a R$ 10. Obras de arte, comidas e bebidas à venda.
Aceitamos todos os cartões.
 
Assessoria Marcellus Lambada Araújo
Lambada Comunicação

 

 

PIZZAS lacto-vegetarianas e veganas (sem nenhum ingrediente de origem animal) no forno à lenha, por Gabriel Lotufo

Fotos: Layza Vasconcelos

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Discotecagem em vinil de JAZZ por Oscar Fortunato

Fotos: Henrique de La Fonte

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02
maio 16

Expo André Dahmer na Plus

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André Dahmer abre exposição na Plus Galeria

Cartunista participa de edição especial da Serigrafada na vernissage, dia 7. Mostra que comemora os seis anos da galeria fica em cartaz até 30 de junho

No próximo dia 7 de maio (sábado), a partir das 16h, a Plus Galeria realiza a abertura da exposição individual de André Dahmer. A vernissage será a comemoração oficial dos seis anos da galeria, e vai contar com a presença do cartunista, que também participará do happening desenvolvido pelo artista Oscar Fortunato, a Serigrafada.

Ao todo, serão expostos mais de 30 trabalhos do carioca, que ficam em cartaz na instituição até 30 de junho. Entre as obras estão desenhos manuais no formato das tirinhas de humor e charges, atividade que tornou Dahmer conhecido nacional e internacionalmente, originais em aquarela e nanquim e ainda gravuras que evidenciam a vertente mais poética da criação do artista. Vencedor de três edições do Troféu HQmix, a mais importante premiação da área, ele publica tirinhas diariamente nos jornais O Globo e Folha de São Paulo, além de trabalhar para publicações como o Portal G1 e LeMonde Diplomatique.

Dahmer define seu trabalho paralelo ao dos jornais como um descanso. “Desenho para descansar de meu trabalho como desenhista. A poesia que há nesses trabalhos sempre existiu, é algo mais delicado, mas não tenho medo nenhum disso, eu os faço com a mão leve e a cabeça mais livre, mas nem sempre são temas alegres de se ver, porque muitas vezes os temas são elementos de um futuro distópico”, explica.

Para a curadora e fundadora da Plus, Lydia Himmen, chegar aos seis anos da galeria com uma exposição de Dahmer “é algo muito adequado, porque temos posturas políticas e sociais muito semelhantes”. A entidade trabalha de forma independente, ou seja, não pleiteia financiamentos em quaisquer leis governamentais de incentivo. “Somos independentes para que possamos manter nossa postura crítica intocada”, evidencia Himmen.

Ela ressalta que a maior conquista da galeria desde a sua abertura é a formação de público consumidor. “Procuramos democratizar e facilitar o acesso à arte. A internet é nosso grande mecanismo de comunicação com colecionadores e admiradores de todas as partes do Brasil e do mundo, mas é notável que há um público local que interage com nosso espaço de forma cada vez mais intensa”, avalia.

LINKS

Evento no Facebook:
https://www.facebook.com/events/1535627486743542/

Site da Plus Galeria:
http://plusgaleria.com.br/

Fanpage da Plus Galeria:
https://www.facebook.com/plusgaleria

Fanpage de André Dahmer:
https://www.facebook.com/malvadoshq

SERVIÇO
O quê: Vernissage da exposição de André Dahmer
Quando: 7 de maio (sábado), às 16h
Onde: Plus Galeria (Rua 114, nº70, Setor Sul, Goiânia-GO)
Quanto: Entrada franca


Marcellus Araújo
Jornalista
(61) 9156-7979

 

SERIGRAFADA™

Para a Serigrafada, happening criado e desenvolvido pelo artista Oscar Fortunato, mestre em Serigrafia, qualquer peça de vestuário pode ser impressa (camisetas, vestidos, jaquetas, ecobags, echarpes, calças, camisas, etc), desde que seja de algodão ou fibras naturais. Tecidos sintéticos não são possíveis porque é utilizada uma tinta chamada Plastisol, que é seca imediatamente sob forte fonte de calor.
Cada aplicação tem o valor de R$ 25,00.

Importante:
As peças são serigrafadas na hora. E apenas neste dia.
A tinta é preta.
Teremos camisetas da Hering à venda durante o nosso evento, em diferentes tamanhos, modelos e cores.

 

Artes de André Dahmer disponíveis para esta edição da Serigrafada™

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Artes de Oscar Fortunato disponíveis para esta edição da Serigrafada™. Tintas nas respectivas cores das fotos:

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Entrevista

DAHMER: “TODO MUNDO NASCE DESENHISTA”

André Dahmer fala sobre democracia, internet e seu fazer artístico com a lucidez de quem sabe que as barreiras da arte que conhecemos estão se esgotando mais rápido do que muitos querem acreditar

 

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Quem produz a partir da internet para outras plataformas entende melhor que ninguém o quanto ela alterou todas as formas de consumo e de informação. André Dahmer, que iniciou as tirinhas Malvados na internet, em 2001, não pensa diferente, e sabe que o mercado de arte vertical está se reformulando em todas as áreas. Em entrevista, ele fala sobre seu processo criativo, sobre seu trabalho como cartunista e como artista plástico, sobre o mercado editorial e sobre como se relaciona com o que cria.

Marcellus Araújo – Por que a exposição não tem um título?

André Dahmer – Não tem nome mesmo. Tem desenhos que eu nem assino, porque eu acho que atrapalha. Muitos pintores não assinam seus trabalhos. As gravuras são numeradas e assinadas, para que elas não tenham o mesmo valor de uma cópia simples. Não acho que gravuras devem ter mais de 50 cópias. Eu, quando serigrafo, faço 10, 12 cópias apenas, porque se for muito mais, você banaliza as coisas. Não estamos aqui pra fazer dinheiro. Estamos aqui pra fazer obras de arte. Já tem muita gente cuidando dessa parte de fazer dinheiro.

MA – Existem alguns temas que estão presentes nas obras da exposição? Você pretende evidenciar comportamentos, assuntos atuais, fazer críticas?

AD – Alguns cartuns são recentes e fazem críticas de costume, além de terem uma conotação política mais evidente, assim como as charges. E os outros desenhos seguem temáticas que eu persigo há tempos, a praia, o futuro distópico. Não é exatamente alegre de se ver. Mas é uma exposição acessível em todos os sentidos.

MA – Seu trabalho como artista plástico sempre existiu paralelamente ao trabalho de cartunista? Esse tipo de categorização te incomoda?

AD – Sempre existiu o desenho livre. Eu desenho pra descansar do meu trabalho como desenhista. Eu desenho pra conseguir dormir. É um volume enorme de criações sem finalidade de trabalho, sem obrigação alguma, e eu acho que eu posso trabalhar sem tempo, sem prazo, porque o grande mérito desse tipo de trabalho é o descompromisso. Mesmo que hoje eles tenham um valor de mercado, eles são feitos pra descansar, pra limpar a minha cabeça. Desenho com a mão mole e com a cabeça vazia. Demora a entender isso tudo, porque quando eu era mais novo, tinha alguns preconceitos com artes plásticas. Poesia é uma coisa mais delicada, mas não tem porque ter medo disso. E na verdade a gente tem que ter muita coragem pra ver a vida como infinita. Quase todas as coisas que a gente faz depois que acorda não têm sentido nenhum.

MA – O que significa para você fazer uma exposição individual em Goiânia, um local relativamente distante do seu ambiente mais comum?

AD – O eixo Rio-São Paulo exclui artistas, sempre foi assim. Mas esse tipo de iniciativa combate isso. Por isso eu também quis fazer uma exposição em Belém (2015), só de aquarelas. Acho importante fugir desse eixo. Vivo no Rio de Janeiro e vou muito a São Paulo pra trabalhar. Fiquei impressionado com a quantidade de artistas bons que existem em Goiânia. São trabalhos excelentes e rostos que deveriam ser conhecidos no país todo.

MA – Você vai participar da Serigrafada durante a abertura da exposição. Por que você se sentiu atraído pela ideia?

AD – Estou envolvido com a serigrafia desde os meus 14 anos, quando eu fazia camisetas pra mim e meus amigos, com elementos de coisas que a gente gostava na época. Gosto muito de serigrafia porque ela pode ir para o papel e ter status de arte, mas também pode ir pra camiseta, que é como um muro, um local pra você colocar um recado no peito. Pra Serigrafada eu fiz poemas pequenos, curtos. E serigrafar camiseta artesanalmente é muito diferente de colocar meus trabalhos em fraldas, sabonetes ou qualquer coisa assim, porque assim se perde o destino da criação. Respeito quem faça isso, como o Maurício de Sousa, por exemplo. Não é falta de ambição da minha parte. Mas não é essa a destinação do que eu faço.

MA – E qual é a sua destinação?

AD – Estou com muito mais interesse em fazer as coisas direito e devagar, no meu tempo. Não quero passar vergonha depois. Hoje eu olho pro meu trabalho e tem coisas que eu vejo que fiz e não gostei. Mas nada grave, porque isso tem um lado bom, de se regular. Você sabe muito bem quando você está mentindo pra você mesmo e quando está fazendo as coisas com verdade. E essa autorregulação é só o artista que pode fazer.

MA – Mas o trabalho nos jornais é diário e não te permite trabalhar num tempo mais contemplativo. Como você administra isso?

AD – Fazer tirinha pra jornal todo dia não é mole, não é o emprego dos sonhos que todo mundo imagina. Requer trabalho diário, de jornalista mesmo. A vida é muito curta pra gente fazer as coisas por fazer.

MA – Além dos livros publicados, você tem outros trabalhos semelhantes em andamento?

AD – São sete de quadrinhos e mais três de poesia. O sétimo de quadrinhos vai ser publicado em maio, pela Cia das Letras. Mais três de poesia, já publicados, que eu faço com editoras menores, que gostem de trabalhar de forma mais artesanal. Normalmente eles têm uma tiragem menor porque poesia se vende muito menos. Mas seria melhor ser enterrado como poeta do que como cartunista.

MA – Muito se fala em inspiração artística. Mas você já disse que segue a uma motivação íntima, não inspiração. Então, qual é a sua motivação?

AD – A pior delas. Não é por fama, dinheiro, ou um mundo melhor. É porque eu preciso fazer. Parece muito com fome. É como se eu precisasse comer. E diante dessa fome, todo o resto é uma coisa menor. É criar pra poder ficar bem de espírito. Mesmo que eu fosse amador para o resto da vida, eu continuaria desenhando, mesmo se me cortassem tudo e eu fosse vender cerveja na praia.

MA – O desejo é o fiel da balança?

AD – Quando a gente tem desejo, é um sinal de que dá pra continuar a vida, com todas as suas durezas e problemas. Se temos desejo, fica mais fácil viver. E meu desejo de trabalhar é enorme. É o desejo de tanta gente se aposentar. Eu não quero me aposentar de jeito nenhum. Por isso que arte é tão importante, nem que seja um violãozinho, pra você poder tocar e tirar os demônios. Todo mundo nasce desenhista. Mas quase nenhum adulto desenha, fico com medo disso, porque parece que tiram das pessoas algo instintivo. Se tiram da gente as artes e a música, isso é de uma crueldade muito grande, porque são atividades tão naturais quanto chorar ou fazer cocô. Deve ser muito difícil a vida das pessoas que não desenham, e das pessoas que não tem violão.

MA – Você é da primeira geração a produzir conteúdo na web, no início da popularização da internet. Tem alguma leitura sobre como está atualmente esse cenário de criação e produção no país?

AD – Fui um dos primeiros da internet a fazer quadrinhos, é verdade! Naquela época tinha o domínio que você quisesse na internet. Uma geração inteira mostrou o trabalho que faz na internet. A internet mudou a forma como as pessoas trabalham. Você não tem mais um grande padrão, um grande cara, uma grande revista. O herói está acabando, e cada vez mais você vai ter várias pessoas não muito conhecidas atuando, ao invés de dois ou três extremamente conhecidos.

MA – É o mesmo fenômeno da música?

AD – Ninguém mais vende um milhão de discos. Antigamente, se lançava disco e não se fazia show nenhum. Agora mudou tudo, não ter mais estruturas tão verticais é ótimo. Eu vivo do impresso, e meus livros são vendidos, mas eu não tenho nenhuma vontade de ver essa política de segregação perpetuada. Música tem que ser de graça, mas as relações se transformam, e os grandes têm que entender que cada um vai ganhar um pouquinho. São tempos maravilhosos pra se produzir conhecimento e informação.

MA – A melhor fase dos quadrinhos no Brasil já passou?

AD – Somos tão bons quanto a Argentina. Temos um grande humor gráfico, que vem de muito tempo. Não sei se há mais oportunidades do que nos anos 1980. Mas eu acredito que há espaço pra leitura na internet. Tem muita gente muito conhecida em grupos menores, porque a internet horizontaliza as relações.

MA – Muitos cartunistas dizem que em momento políticos intensos há muito material de trabalho. Você acredita nisso?

AD – O Jaguar diz que nunca quer que os políticos melhorem. Eu acredito que a gente tá vivendo uma fase difícil. A gente tá vivendo um problema institucional muito grande. Odeio os ministros da Dilma e a condução que ela faz. Mas tirar ela do mandato não é solução alguma. Somos presidencialistas. Se achamos ruim, esperamos as eleições e ali tiramos ela. Não estamos no parlamentarismo. Isso nos coloca numa situação de insegurança política enorme. O Fernando Henrique Cardoso era muito impopular no segundo mandato dele. Mas ele tinha que ficar até o final. Não acho que a gente tenha que tirar o (Geraldo) Alckmin do poder pelas pedaladas fiscais que ele cometeu. Elegemos, somos responsáveis. Nossa democracia tem só 30 anos. Não podemos acabar com ela. Foi muito duro pra se conquistar.

MA – O mercado editorial ainda é uma dificuldade? Sua projeção pública tem facilitado as coisas?

AD – Tenho o apoio de uma editora grande, e eu tenho uma facilidade, mas é criminoso eu dizer que o mercado está ótimo. Muita gente boa não tem isso. A produção intelectual está mudando. Só agora você pode entrar numa livraria grande e ter uma sessão só de quadrinhos que não seja de criança. Uma youtuber vende 40 mil livros. Que poeta vendeu isso no Brasil? Manoel Bandeira? E para o mercado de quadrinhos não é diferente disso. Eu vendo relativamente bem, mas a maioria, nem isso.

MA – O que mais te irrita no processo de criação?

AD – Não lograr sucesso quando vou trabalhar. Sucesso em realizar a obra, sabe? Ás vezes passo dias pensando numa série nova, e quando as ideias não estão claras, isso me causa uma irritação. Essa incerteza acompanha o trabalho de criação o tempo todo. Mas ao mesmo tempo, não falta motivo pra desenhar. Brancos não me acontecem, o que acontece é não saber logo o que tem que se feito. Picasso diz que não se faz nada sem a solidão. E ele está certo. Tem gente que desenha com música. Eu preciso de silêncio total. Criar necessita de uma amplitude, e ela precisa da solidão.

MA – E onde está o prazer de trabalhar? Na hora em que você vê que terminou?

AD – Terminar é uma das ondas boas. Mas no dia seguinte eu preciso de mais. Acertar um desenho é um prazer. Eu não desenho com lápis ou borracha, eu vou com o bico de pena direto. Pra chegar em 25, eu faço 500. Uma soma real. Mas eu não faço coisas fáceis, não estou aqui pra isso. Não estou interessado no fácil, porque isso eu sei fazer, eu me interesso pelas difíceis, o que eu ainda não sei.

MA – O que mudou na internet com tantas redes sociais e acesso cada vez mais democrático?

AD – Hoje todo mundo produz conteúdo. Naquela época, poucos produziam imagens, textos. A maioria entrava pra ler. Essa geração foi pioneira, e aprendemos no braço como fazer, era tudo no HTML. Quando a ferramenta (de publicação) apareceu, houve uma maximizada. Era o início das redes como a gente conhece agora. Hoje cada vida é uma novela. Mas mesmo com tanta sujeira, ainda é muito melhor assim. Veja quanta gente boa apareceu graças a isso, na música, nas artes todas… A luta por espaço, por criação, por respeito, é permanente, só acaba quando morre.