May, 2010


31
May 10

Um todo coletivo é sempre mais do que a soma das partes

A Arte, como nova Epistemologia

Por Rui Gil

English Version of this article – http://spacecollective.org/RuiGil/5944/Art-as-a-new-Epistemology

A Arte, como nova Epistemologia

«I believe in God, only I spell it Nature.» – Frank Lloyd Wright

Viver, é algo que todos temos de aprender, mas que ninguém nos pode ensinar. Este velho ditado, remete-nos para uma das características mais singulares da condição humana. A de estarmos condenado a ser eternos diletantes. É impossível aprendermos tudo, porque todos os dias há mais para aprender. E, como o conhecimento está em permanente mutação, coisas que aprendemos no passado, são hoje obsoletas. Outras ganham novas cores, recombinam-se, mudam… É como se viver, fosse deambular pelas salas hexagonais da biblioteca de Babel. Um espaço infinito composto por todas as variações possíveis do conhecimento.

Mas o que é o conhecimento? Como é que o obtemos? Estas perguntas têm persistido nas mentes de filósofos, e cientistas durante séculos. Desde os gregos, passando por Kant, até aos nossos dias cibernéticos, muitas foram as epistemologias que pretenderam responder a estas perguntas. Apesar das respostas serem várias, ninguém duvida de que a Ciência é um poderoso instrumento para obter conhecimento, mas seria mais difícil encontrar alguém que dissesse o mesmo sobre a Arte. A definição mais comum de Arte, é a criação de objectos estéticos, ambientes e experiências que podem ser partilhados com outras pessoas, mas a maior parte delas, não vê isto como conhecimento.

Ver estes dois domínios, Arte e Ciência, como separados, é uma ilusão histórica bastante recente. Não é preciso recuar muito no tempo, para encontrarmos uma época onde a Arte e a Ciência eram uma e a mesma coisa. Basta pensar em Leonardo da Vinci, para verificar que na Renascença esta distinção simplesmente não existia. Gregory Bateson dizia que se confundires a tua epistemologia, tornas-te um psicótico. Ver como separadas coisas que na verdade são iguais, (Como por exemplo, o Homem e a Natureza), faz com que o Homem destrua a natureza, e por consequência se destrua a si próprio. Por isso não é difícil vermos que a divisão entre Arte e Ciência é também resultado da confusão epistemológica actual.

Costuma-se dizer que ciência, não é um nome, mas um verbo, porque a ciência não é uma estrutura estática de conhecimento, mas sim um processo em permanente movimento. Esse processo, chamado de método científico, é maioritariamente dedutivo. Tudo começa na experiência dos sentidos, depois na formulação de hipóteses para explicar as regularidades das observações, ao qual se segue a dedução de previsões que sustentem essas hipóteses, que depois são testadas e verificadas, para construir «leis naturais». Podemos ver estas «leis naturais»  como a parte indutiva do processo.

Este processo é altamente eficaz, e produziu os enormes avanços no conhecimento, dos últimos séculos. Os sucessos foram tantos, que criou a chamada «ilusão positivista». A ideia de que não há nada que a ciência não possa conhecer, nem há conhecimento válido fora do método cientifico. Ora isto é uma ilusão, por várias razões, mas a principal é porque o método científico tem limites. Existem limites teóricos, naquilo que podemos medirprever, e provar. Estes limites são fundamentais, na medida em que não dependem de avanços tecnológicos, e criam um «horizonte» de conhecimento, para além do qual não conseguimos ir… Tendo isto em conta, há uma pergunta que se impõe: Será que conseguimos alargar esse horizonte de conhecimento, alterando o método pela qual o obtemos? Qual o papel da Arte em tudo isto?

É preciso notar, que a visão do mundo proporcionada pelo conhecimento científico, sofreu uma profunda transformação nas últimas décadas. Podemos dizer que o paradigma que orientava o processo científico, sofreu uma mutação, que criou o espaço para a Arte se afirmar como um método de conhecimento. Isto, porque passámos de uma visão reducionista e materialista, para uma emergentista e criativa.

A visão reducionista do mundo, foi uma herança histórica herdada de Newton, que via o Universo como um relógio. Para conhecer esta máquina só teríamos de conhecer as suas várias partes. A vida era assim vista como sendo, nada mais que biologia, que por sua vez, nada mais era que química, que nada mais era que física, que nada mais era do que colisões da partícula fundamental, que por sua vez… nunca foi encontrada. Para um reducionista, um avião nada mais é do que a soma das suas partes, ignorando o óbvio. Há uma quantidade infinita de formas de organizar essas partes, mas apenas uma que permite voar!

Segundo a visão emergentista, um todo colectivo é sempre mais do que a soma das partes. Este «mais» é informação. Essa informação está contida na organização particular dessas partes, que distingue um avião, de um monte de sucata. O diamante e a grafite são ambos feitos de carbono. Um é transparente e inquebrável, enquanto que o outro é opaco e frágil. Nenhum físico conseguiria olhar para uma única molécula de carbono e deduzir as propriedades do todo colectivo, porque estas propriedades dependem de uma organização particular. Por isso é que um todo colectivo é mais do que a soma das partes, porque possui propriedades que dependem da sua organização particular, e que não podem ser encontradas nas partes individuais. No caso dos seres vivos, a sua organização muda ao longo do tempo, o que significa que, para além da informação da organização, existe a informação da sua dinâmica temporal. Quanto mais complexo, mais informação possui.

Essa nova visão do mundo, revela algo de óbvio. Que o Universo não é uma máquina estática, mas é fundamentalmente criativo. A vida é um processo de autopoiese, que ao organizar-se, cria continuamente novas propriedades. Estas propriedades dependem da história do processo e do acaso, por isso o determinismo é um caso particular, e não a regra. Isto é o mesmo que dizer que o futuro está em aberto e é imprevisível, porque nunca conseguiremos saber quais as propriedades que vão ser efectivamente criadas. Aqui começamos a ver uma relação entre a Arte, e esta nova visão do mundo, porque a Arte, nunca foi reducionista. Não apreciamos uma peça de Mozart, analisando cada uma das notas, ou o retrato de Mona Lisa, analisando os pigmentos de cor da tela, porque toda a obra de arte é um todo colectivo por natureza. Um todo colectivo que privilegia a organização entre partes, para exprimir significado e beleza.

Segundo um positivista, não podemos aprender nada com a Arte, porque o conhecimento é proposicional. O conhecimento deriva da experiência e da razão e é exprimido em factos, na linguagem da matemática ou da lógica. Esta é uma definição empírica e racional, mas bastante limitada. Segundo esta definição saber andar de bicicleta, ou saber tocar um instrumento, não representa conhecimento, porque não existe um conjunto objectivo de factos que o descrevam. É privilegiado o know-that (partes) e ignorado o know-how (todo colectivo). Essencialmente esta definição representa o pensamento reducionista estendido à epistemologia. Assume um mundo objectivo, onde os factos são a «partícula fundamental» do conhecimento, ignorando a organização desse conhecimento em estruturas compostas, colectivas e coerentes.

Felizmente o positivismo não é a única epistemologia possível. É interessante que Kant tenha dito na sua Critica do Julgamento, que o acto estético mais fundamental era a selecção de um facto, porque isso sugere a estética está no centro do conhecimento, e que a objectividade é uma ilusão, ideias que construcionismo defende. O argumento que suporta a ilusão da objectividade é simples. Como os nossos sentidos são limitados, (mesmo com toda a tecnologia e instrumentos de medir), não conseguimos ter acesso à «realidade» mas apenas a uma representação subjectiva da mesma. Uma metáfora para isto seria, um homem colocar uma câmara de video fora da sua casa, ligada à televisão, e depois, olhando para a televisão dissesse que estávamos a olhar para a «realidade». A televisão não é a  «realidade» mas apenas uma representação subjectiva da mesma. Não existe uma objectividade «real». Aquilo que chamamos de objectividade, não é mais do que  subjectividade partilhada com outras pessoas, ou como dizia Howard Bloom, «Reality is a Shared Hallucination».

Portanto, se não conseguimos separar o processo de conhecer, do nosso próprio mundo subjectivo, nem conseguimos separar o know-how, do know-that, podemos ver que a Arte não é realmente uma nova epistemologia, mas apenas uma que esquecemos por causa da nossa confusão positivista. Podemos começar a aperceber-nos que o processo criativo está no centro do processo de conhecer. É verdade que os cientistas como indivíduos são pessoas muito criativas, mas a Ciência como um todo não o é, porque continua a focar-se nas partes em vez do todo, e o resultado é a excessiva fragmentação e especialização da ciência. Defender a Arte como uma nova epistemologia, não é dizer que ela deve substituir aquilo que conhecemos hoje como o método cientifico, mas trazer para o processo de conhecer as qualidade únicas do processo criativo. Estas qualidades são a capacidade de integrar, relacionar, organizar, criar estruturas coerentes de significado, beleza e conhecimento entre vários níveis e domínios, que se possam relacionar, com o nosso mundo subjectivo partilhado.

Humberto Maturana, e Francisco Varela no seu livro «The Tree of Knowledge» partilharam grande parte destas ideias, mas com um significado mais abrangente. Segundo eles, o Universo não é apenas fundamentalmente criativo, mas este processo criativo, é um processo de cognição, de aprendizagem. Existe uma dualidade entre o know-how e o know-that. Quando construímos o nosso mundo subjectivo de know-that, mudamos a forma em como agimos no mundo do know-how. Esta circularidade entre acção e a experiência, é comum a todos os seres vivos, e é por isso que eles dizem que «todo o saber é fazer, e todo o fazer é saber». Este processo de conhecimento não está apenas restrito a mente humana, mas é intrínseco, à própria vida. Isto significa que o processo de conhecimento, o criativo, e o da vida, são uma e a mesma coisa.

Quando olhamos para a bela forma hidrodinâmica de um tubarão, ou para a as penas ultra silenciosas de um mocho, percebemos que estas formas, são conhecimento que a Natureza «cristalizou» em seres vivos adaptados ao seu ambiente. Quando vemos uma paramécia, a nadar num gradiente de glucose, ficamos maravilhados por uma forma de vida tão simples «saber» fazer isso. Este processo de cognição, acelerou com o aparecimento dos seres humanos, e está a explodir nos nossos dias cibernéticos. Portanto aquilo que chamamos de Mente, já não pode ser limitado ao cérebro humano, mas algo que se estende através de circuitos, e relações, fora dos nossos corpos, ligados a uma Mente maior, da qual a mente humana, é apenas um subsistema. A Mente torna-se a própria estrutura evolutiva total. Ou como o Gregory Bateson diria: «This larger Mind is comparable to God and is perhaps what some people mean by “God,” but it is still immanent in the total interconnected social system and planetary ecology»

Esta imagem representa a árvore da vida. É uma obra de arte, que cobre a parede do templo Wat Xieng Thong, em Luang Prabang no Laos. O mito da árvore da vida, é comum a muitas civilizações antigas, e representa a ascensão da terra até ao céu, ou o caminho para Deus. Não é preciso puxar pela imaginação para ver na imagem o conhecimento da evolução, e de que todas as coisas estão ligadas, com os seus vários ramos e a ascensão da complexidade das formas, séculos antes de Darwin. É uma estrutura que se diversifica, mas ao mesmo tempo se mantêm coerente. Os kabalistas achavam que sim, e usaram o mito da árvore da vida para um modelo da criação, e não é coincidência que a árvore da qual Adão comeu o fruto proibido, era a árvore do conhecimento do bem e do mal… Ao continuarmos a deambular pela biblioteca de Babel, encontraremos um dia as palavras de Borges. «a tarefa da arte é a de transformar aquilo que nos acontece, transformar tudo em símbolos, em música, em algo que fique na memória»

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26
May 10

Assemblage

Assemblage is an artistic process in which a three-dimensional artistic composition is made from putting together found objects.

The origin of the word (in its artistic sense) can be traced back to the early 1950s, when Jean Dubuffet created a series of collages of butterfly wings, which he titled assemblages d’empreintes. However, both Marcel Duchamp and Pablo Picasso had been working with found objects for many years prior to Dubuffet.

Art Work – Metropolis,  ZéCésar

Text font – Wikipedia

O artista plástico Zé César inaugura a exposição Ocupação na Galeria da Faculdade de Artes Visuais da UFG dia 1º de junho. A mostra, que tem curadoria de Irene Tourinho, traz proposta de uma instalação projetada para o espaço cultural no Câmpus 2. Com uma produção voltada para as técnicas da gravura desde os anos 80, Zé César mostra obras trabalhadas em chapas de papelão que remetem os visitantes para reflexões sobre a ocupação na metrópole e a necessidade de cuidar desse lugar. (O Popular, coluna Spot, 27 de maio de 2010)

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19
May 10

Sobre a Feira, por Tarik Hermano

Recentemente li um trecho do livro A Grande Feira, de Luciano Trigo em que ele dizia “O fato é que, para a maioria das pessoas, a produção artística contemporânea não inspira nem emociona, não desafia, não contesta, não modifica nem derruba fronteiras, não altera a compreensão do mundo, não torna a vida culturalmente mais rica”. Alguns fatos que vinha observando se encaixaram quando li a afirmação do autor. Anteriormente, enquanto via uma entrevista do pensador francês Edgar Morin, o vi falando sobre sua juventude em Paris nos anos 60. Ele falava que durante essa época ele percebia que os jovens viviam num espaço novo, cheio de possibilidades e ideias. Confrontando os ideais vigentes, de seus país, de seu governo. Percebe-se que viviam numa espécie de Terceiro Espaço, o lugar onde o novo surge, ou melhor, ali onde a novidade se reinventa.

O que realmente me intrigou foi que na entrevista, ele citou um evento em 1963, A noite da Nação, em que uma rádio chamou os jovens pra se reunirem numa praça de Paris, beber e ouvir um ritmo novo e transgressor: o Rock. Aquele encontro, com 150.000 jovens vivendo um momento único no mundo, acelerados pela sociedade, se transformou numa baderna. Começou-se a quebrar coisas, arrancar árvores, virar carros, saquear lojas, etc. Me lembrei nesse momento que ainda ontem vi em algum jornal que, na França, as pessoas começaram a combinar encontros pelo Facebook. Essa situação aumentou para encontros em que mais e mais se encontram numa praça e vão beber e conversar. Em Nantes, oeste da França, um jovem caiu de uma ponte saindo de um desses encontros, que havia reunido nada menos que 9 mil pessoas,  segundo as autoridades francesas. 93 pessoas socorridas nos hospitais após tal encontro. Ainda que com suas diferenças, a história continua dando suas voltas. Percebam, as mesmas características: uso de tecnologias já comuns – no entanto, de uma maneira diferente da que é usada na época -, jovens, álcool, transgressão e a necessidade de estar acompanhado por pessoas que tenham esse mesmo tipo de “visão”. Qual a diferença? As autoridades francesas hoje, como quando da Noite da Nação, se preocupam e propõem medidas para coibir tais atitudes. Morin, no entanto, ao dar-se conta do ocorrido, percebeu que “havia uma inspiração na adolescência que buscava se exprimir através do Rock e que estavam formando, senão uma classe social, uma adolescência em si, entre o seio da infância e a integração do mundo adulto.

Bom, essa geração de baderneiros de 63 viveu e promoveu, 5 anos mais tarde, uma das maiores mudanças de paradigmas da nossa época, se não a maior. Hoje lê-se com entusiasmo pensadores como Morin, que viveram e sintetizaram o que viemos a viver hoje, tendo estado presente de certa maneira em sua criação. Essas pessoas hoje sao muito lidas, ou caras, ou geniais. Some-se a isso o fato de o que se chama hoje de “juventude” só aumenta. O ser humano consegue viver por mais tempo como um jovem adulto hoje do que ele podia há 40, 50 anos. Considere-se também o aumento da velocidade do mundo. As comunicações aumentam de velocidade, as transmissões de dados, o fluxo de informação aumentam tambem. A história acontece mais rápido. Banksy, em vida e ainda produzindo, vende mais de milhão de libras em um só leilão. Fato esse que nosso grande mestre das artes plásticas, Picasso, não conseguiu. Tudo, absolutamente tudo no mundo, anda muito mais rápido.

Temos, então, um ambiente hoje muito similar a esse outro e muito próximo, que abalou e ainda abala as estruturas do nosso sistema até hoje. E mesmo assim, vemos uma produção artística que não consegue atingir nem mesmo os jovens, quanto mais a população como um todo, como bem descreve o Trigo. Eu não sei, mas acho que a Arte Pop veio para tentar nos salvar, buscando numa linguagem universal em termos de classe social (todos eram familiarizados com as imagens das revistas e das propagandas, do rico dono capitalista à sua faxineira) uma expressão mais abrangente. No entanto, acho que a complexidade do sistema foi aumentando. O Urbano é um fenômeno historicamente novo e nada que ja vivemos muda tão rapido como essa tal de Urbe.

Dessa maneira, acredito que o Graffiti vem como a próxima tentativa de uma técnica/conceito a dar um norte para a produção artística. Acredito mesmo que estamos vivendo um momento de extrema importância para a história, tanto das artes quanto da sociedade. A grande questão, que não podemos responder ainda, é se isso vai dar em algum lugar, ou melhor, se essa linguagem vai conseguir se espalhar, se reproduzir, mudar e ainda conseguir sintetizar ou mesmo apreender essa complexidade tão grande quanto a que temos hoje.

Acredito que esse seja o momento de maior complexidade – no sentido de fatores altamente complexos se ligando e formando uma malha ainda mais complexa – que a humanidade já tenha vivido. A Cidade consegue trazer tantas coisas diferentes para a experiência de seu vivente. É um paraíso sensorial, de informações. É tanta coisa ao-mesmo-tempo-agora que as artes vão se mesclando, se sobrepondo, assim como na cidade. A tinta sai da tela, vai pra parede, pro chão ou mesmo some. O vídeo, a musica, a pintura, a escrita começam a se juntar e formar uns híbridos. Ao mesmo tempo, Allen Gisnberg ja gravou poemas acompanhado pelo Paul McCartney e uma banda num estúdio nos anos 60. Nada de novo debaixo do Sol.

Finalizando, acho que talvez, o problema enfrentado por Luciano Trigo seja que as pessoas não se dão conta do que está acontecendo ao seu redor. Basta abrir um pouco os olhos pro mundo e ver.

Agora, a grande questão é se a culpa de tanta falta de percepção é do leitor das obras artísticas ou mesmo do tal do artista.

Foi buscando em Fernando Pessoa um consolo para tal fato que encontrei no mestre dos mestres, Alberto Caeiro, algo a dizer sobre tudo isso:

“O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…”

Realmente, talvez o que nos falte seja o tal do pasmo essencial, coisa que Morin carrega consigo até hoje. Salve o velhinho!

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17
May 10

EL MENDEZ & RUSTOFF @ Ambient Skate Shop

A pista da Ambiente ganhou cara nova, ontem.  By El Mendez e Rustoff .

Photo: Daniel Atassio

www.ambienteskateshop.com.br

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15
May 10

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14
May 10

SOBRE A ARTE

Não temos a capacidade de destilar em palavras as experiências visuais que fazem o belo repousar naquilo que é apreendido pelo olhar. Uma obra de arte é tudo que ela contém: forma, textura, cor, linhas, conceitos, relações, etc. É aquilo que se vê, e o que se diz não corresponde exatamente ao que se vê. Não representa nada como imagem de outra coisa. E para ler um trabalho de arte é necessário se partir de um modelo (referências, informações…). Existem códigos a priori (aqueles utilizados pelo artista) e códigos a posteriori (aqueles utilizados pelo espectador). A virtude da arte é afirmar um conhecimento, propondo instrumentos que seduzem a inteligência. A invenção de uma linguagem é o resultado de um exercício paciente de contemplar outras linguagens. Como todo discurso é resultado de outros discursos. Exige-se um método. A arte é o que está além dos limites de tudo o que se considera cultura; não pode se restringir a um exótico experimento ou aparência da superfície de um trabalho, que fica para trás, como uma coisa vazia, no primeiro confronto com o olhar que pensa. A arte, entendida, como meio de conhecimento, hoje em dia, vem cedendo lugar a uma experiência ligada ao lazer e a diversão, que envolve outros profissionais como responsáveis pela sua legitimação: o curador, o empresário patrocinador e organizador de eventos, marchands, profissionais de publicidade, administradores culturais e captadores de recursos. Com as leis de incentivo a cultura e a presença marcante da iniciativa privada, paradoxalmente, levou a arte a um limite, o fim da obra, do trabalho ligado a um saber. E o artista, nem artesão e nem intelectual, sem dominar qualquer conhecimento, está cada vez mais sujeito ao poder do outro. As grandes mostras são grandes empreendimentos para atender à indústria do entretenimento, (mais empresarial e menos cultural), que movimentam uma quantidade significativa de recursos e envolve um número assustador de atravessadores. As contradições modernidade / tradição, contemporâneo / moderno, neste início de século, cede lugar a uma outra contradição: artistas que pertencem ao metier e artistas estranhos ao metier, inventados por empresários da cultura, cujos trabalhos se prestam para ilustrar uma tese ou teoria imaginária de um suposto intelectual da arte e garantir o retorno do que foi investido pelo patrocinador e pelo comerciante de arte. Uma mercadoria fácil de investir, sem risco de perda, basta uma boa campanha publicitária. O artista pode ser substituído por um ou por outro, a obra é o menos importante. Aliás, é o que a indústria do marketing tem feito com as mostras dos grandes mestres como: Rodin, Manet, etc., pouco importa as obras desses artistas e sim o nome e o patrocinador. A publicidade leva consumidores/espectadores como quem leva a um shopping center. A quantidade de público garante o sucesso. O público é como o turista apressado, carente de lazer cultural que visita os centros históricos com o mesmo apetite de quem entra numa lanchonete para uma alimentação rápida. Na “sociedade do espetáculo”, regida pela ética do mercado, o artista sem curador, sem marchand, sem patrocinador, é simplesmente ignorado pelas instituições culturais, raramente é recebido pelo burocrata que dirige a instituição. Seus projetos são deixados de lado. Também pudera, essas instituições, sem recursos próprios, tem suas programações determinadas pelos patrocinadores. Numa sociedade dominada pelo império do marketing, a realidade e a verdade são mensagens veiculadas pela publicidade que disputa um público cada vez maior e menos exigente. A vida é vivida na especulação da mídia, na pressa da informação. E neste meio, a arte é uma diversão que se realiza em torno de um escândalo convencional, deixando de lado a possibilidade do pensamento. O fantasma do “novo”, que norteou a modernidade foi deslocado para o artista que está começando, pelo menos novo em idade, o artista/atleta, a caça de novos talentos e de experiências de outros campos sociais. Totens religiosos, a casa do louco, a rebeldia do adolescente… Tudo é arte, sem exigir de quem faz o conhecimento necessário. Todo curador quer revelar um jovem talento, como se a arte dispensasse a experiência. Um “novo”, sinônimo de jovem ou de uma outra coisa que desviada para o meio de arte, funciona como uma coisa “nova”. Um novo sempre igual, a arte é que não interessa. Praticamente trinta anos depois do aparecimento da chamada arte contemporânea no Brasil, recalcada nos anos 70 pelas próprias instituições culturais, um outro contemporâneo surgido nos anos 90 passou a fazer parte cotidiano dos salões, bienais, do mercado de arte, das grandes mostras oficiais e de iniciativa privada. Uma contemporaneidade sintomática. Estamos vivendo um momento em que qualquer experiência cultural: religiosa, sociológica, psicológica, etc. é incorporada ao campo da arte pelo reconhecimento de um outro profissional que detém algum poder sobre a cultura, (tudo que não se sabe direito o que é, é arte contemporânea). Como tudo de “novo” na arte já foi feito, o inconsciente moderno presente na arte contemporânea implora um “novo” e nesta busca insaciável do “novo”, experiências de outros campos culturais são inseridos no meio de arte como uma novidade. Deixando a arte de ser um saber específico para ser um divertimento ou um acessório cultural. Neste contexto, o regional, o exótico produzido fora dos grandes centros entra na história da arte contemporânea. Nos anos 80, foi o retorno da pintura, o reencontro do artista com a emoção e o prazer de pintar. Um prazer e uma emoção solicitados pelo mercado em reação a um suposto hermetismo das linguagens conceituais que marcaram a década de 70. Acabou fazendo da arte contemporânea, um fazer subjetivo, um acessório psicológico ou sociológico. Troca-se de suporte nos anos 90 com o predomínio da tridimensionalidade: escultura, objeto, instalação, performance, etc., mas a arte não retomou a razão. Na barbárie da informação e da globalização, estamos assistindo ao descrédito das instituições culturais e da dissolução dos critérios de reconhecimento de um trabalho de arte. Tudo é tão apressado que acaba no dia seguinte, os artistas vão sendo substituídos com o passar da moda, ficam os empresários culturais e sua equipe. Uma corrida exacerbada atrás de uma “novidade”, que não há tempo para se construir uma linguagem. O chamado “novo” é a experimentação descartável que não chega a construir uma linguagem elaborada, mesmo assim, é festejado por uma crítica que tem como critério de julgamento interesses pessoais e institucionais. A arte pode ser qualquer coisa, mas não são todos os fenômenos ditos culturais, principalmente os que são gerados à sombra de uma ausência de conhecimento.
Almandrade
(artista plástico, poeta e escritor)

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11
May 10

Amorim @ Plus

Reutilizar materiais  é uma das melhores formas de ser sustentável.

Objetos de Arte são diferentes de Objetos de Design e de Objetos de Decoração.

Objetos de Arte carregam em si história, percepção, política, intelectualidade e TALENTO.

Perceba!


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9
May 10

Linoplastos @ PLUS

* Linoplastos são feitos a partir de inúmeras camadas de tintas, vulcanizadas entre si sob forte fonte de calor.
Inédito e exclusivo do artista Oscar Fortunato.

Linoplastos não são feitos silkando uma arte sobre um pedaço de plástico. Eles são feitos a partir do nada.

Este é semi-transparente. E a figura da granada (serigrafia) não está “sobre” mas sim “dentro”.

São inúmeras camadas de tintas, incorporadas entre si através de um processo que envolve alta temperatura. Este inclusive foi levemente “queimado” no centro, para causar este efeito.

O resultado é um objeto de aspecto plástico e INCRÍVEL.

Silk-screen with many paint layers
* Oscar Fortunato´s own technic
100% INK

Linoplastos* are multilayered paint dried at high temperature, where the print or drawing is done on the first layer to be later detached from a metal surface where all the process takes place.

Linoplastos aren´t made by printing on a ready (plastic) surface. They are WHOLE made by the artist.

This one is translucent. The printing of the granade (silk-screen) is not ON the surface but IN the object.

They are made of many levels of paint, put together through a process using very high temperature. This one was intentionally burned at the center. The object has a plastic texture, AMAZING, different from everything produced since now. This process was created and developed by the artist.

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9
May 10

HAPPY MOTHER´S DAY

Ora pro nobis peccatoribus , by Rustoff.

Spray (stencil) on paper, 1,80 x 1,15 meters

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8
May 10

((( amor )))

Coração de Fabiola Morais, série de originais especial para Plus.

The wonderful thing about purchasing Art through the web is you will always be positive surprised with the real stuff. No picture can describe precisely the Art work, even the good ones. If you are enchanted, be sure your passion will turn to LOVE at the first sight.

A maravilha de se comprar Arte pela Internet é que é sempre uma agradável surpresa quando chega. Nenhuma fotografia consegue, por melhor que ela seja, retratar com exatidão uma obra de Arte. Por isso, se você se encantou tenha certeza de que a paixão vai virar amor logo no primeiro encontro.

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