July, 2010


26
Jul 10

EXPOSIÇÃO CAMINHOS DO CORDEL, CE

A exposição “Caminhos do Cordel – traga a França para os meus versos e leve meus versos para a França” está aberta no espaço SESC-CE IRACEMA, de 02 de Julho a 03 de Setembro de 2010 e recebe as visitas de escolas e grupos espontâneos nos horários de segunda a segunda das 8 às 21 horas, com a presença de mediadores das áreas de Letras e Artes Visuais. O SESC-CE IRACEMA oferece também, durante o período da exposição, oficinas de Cordel e Xilogravura. As oficinas serão em datas de Julho e Agosto, ministradas por importantes personagens da nossa cultura Popular, Klévison Viana e João Pedro do Juazeiro. Contamos com sua participação, divulguem. Seguem abaixo o calendário das oficinas; CORDEL; dias 27, 28 e 29 9 às 11 e 14 às 17 – Turmas com máximo de 50 pessoas. Com Klévison Viana XILOGRAVURA; dias 11, 12 e13 9 às 11 e 14 às 17 – Turmas com máximo de 50 pessoas Com João Pedro do Juazeiro

Incrições: Através do email: expcaminhosdocordelsesc.ce@gmail.com ou telefones – 32522215. Sesc Iracema

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17
Jul 10

Alisson Gothz, we LOVE what you do

ALISSON GOTHZ – BIOGRAPHY

Since the late 90’s I’ve been playing with the idea of creating artistic self-portraits capturing different sides of my personality. Since I’m a Gemini, you can imagine I have lots of those.

I’ve been using my face and body in more than 1,000 self-portraits, each one completely different from the other. On these portraits, you can pretty much document not only the lives of the characters I portrait, but also my own. Fun, isn’t it?

My influences are extremely wide, travelling through the worlds of surrealism, dada, pop art and pop surrealism. The whole concept of the soul and body taught by Buddhism and Hinduism also plays a great part in my work, in the way that I see myself not as my physical body, but as my soul who uses the body as a vehicle to my life experiences. The confusion of the genders and sexuality are also a big part of the aesthetic of my portraits, in which I try always to be a genderless character – so people can figure out by themselves who or what am I. Yes, I do like to confuse people.

Everything is done by myself. From the choice of subject to the make-up process, from the choice of what shoes to wear until the final digital retouching, everything is a hard (but fun) labour of love. The characters who live inside the Planet Gothz are whimsical, funny, sometimes scary living creatures. Everybody is invited to visit this planet – as long (and that’s mandatory) they have a good sense of humour.

Inspired on Arcimboldo

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16
Jul 10

O PAU, sobre o livro de Fernanda Young

Por Octaviano Moniz

Meus amigos virtuais de Facebook dizem que tenho fixação no Pau de Fernanda Young. Realmente, conseguir o livro foi uma saga. Nunca havia lido nada da escritora ou visto seu programa de TV. Mas quando soube que uma intelectual de 40 anos e atraente ia fazer um ensaio na Playboy, meus instintos se aguçaram. Sai imediatamente em busca da revista mas sempre ouvia a mesma resposta: está esgotada. Quando já estava desistindo, parei numa banca modesta, mas mesmo assim parei e fui à caça. Pronto, achei a revista e foi uma surpresa muito agradável. Um fantástico ensaio de J. R. Duran e ela majestosa, com o corpo coberto de tattoos, cria fantasias e fetiches para homem nenhum botar defeito. Fernanda, apesar dos quatro filhos, continua muito gostosa e agradeço a ela por este inusitado presente de Natal. Com um enorme senso de marketing, logo após a revista, ela lançou seu oitavo romance e de novo começou a caçada. Fui ver um filme no Espaço Unibanco/Glauber Rocha, onde se localiza uma charmosa livraria, e logo entrei e perguntei à vendedora se ela tinha O Pau. Fingiu não me escutar e voltou para a caixa registradora. Deve ter pensado que eu era um tarado e estava seduzindo ela. Folheei vários livros e nada do Pau. Então me dirigi para o caixa e perguntei de novo. Séria, ela disse que ia olhar no computador. Fiquei esperando, sem graça, e ela me fuzilou com os olhos e respondeu que esse livro não constava do catalogo da livraria. Agradeci e antes que ela chamasse a segurança fui assistir meu filme.

Em outro dia, insatisfeito, rumei para a Saraiva, a maior livraria de Salvador. Chegando lá, fiquei rodando, folheeando vários livros, quando em cima do balcão do caixa vi a fálica capa escrito: O PAU, de Fernanda Young. A livraria, certamente por preconceito, não colocou o livro em exibição, deixou um exemplar discretamente no caixa para os curiosos como eu. Comprei imediatamente o livro por R$25 e voltei para casa. E outra surpresa, além de gostosa ela é uma excelente escritora. Uma obra fálica com certeza. No livro ela usa a palavra “Pau”, não pênis, 170 vezes e mostra, dentro de uma ótica feminina, a representação da opressão causada pelo falo masculino. Uma história de amor e ódio. No romance, uma mulher mais velha se relaciona com um jovem 14 mais novo que ela e é traída. Daí parte para a vingança. Não vou contar o enredo do livro pois quero que vocês comprem. É uma leitura saborosa e corajosa de uma mulher que fala do Pau, o que muitas mulheres pensam mas não dizem. Ela incorpora o arquétipo feminino e disseca o Pau visto pelo sexo oposto. Em nossa sociedade falocêntrica, vide caneta, avião, copo, já na orelha do livro ela traz um aviso para homens e outro para as mulheres. E diz a que veio: mostrar que o Pau é na nossa sociedade um forte elemento repressor e vinculado ao machismo. Como viram, após ler o livro só consigo escrever o Pau com maiúsculas, talvez para mostrar minha potência masculina ou por vergonha do recado dado por Young. Também no livro, ela traduz Pau para diversos idiomas, o que demonstra que o mesmo também foi fruto de pesquisa pela autora. Bem, quando lerem esta resenha, o Natal já terá passado mas é um ótimo presente para 2010, tanto para machos quanto para fêmeas. Enjoy it. A tempo, ela acaba de lançar em conjunto com uma designer uma coleção de jóias, fálicas é claro.

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15
Jul 10

LIBERDADE MARGINAL

30 anos sem Hélio Oiticica

Enviado por Octaviano Moniz

Texto -  Almandrade (artista pástico, poeta e arquiteto) Salvador, 1990


Para Hélio Oiticica, a arte era uma opção de vida contra toda e qualquer forma de opressão: social, intelectual, estética, política…

Inventor, teórico, refletiu e interrogou a brasilidade e a universalidade da arte, sempre inconformista e indiferente à moda. – Arte concreta, Neoconcretismo, Parangolé, Tropicália, vanguarda brasileira dos agitados anos 60, White Chapel Galery (Londres), seis ou sete anos de Nova Iorque; uma vida de tensão em fazer arte e habitar o mundo. Ao romper com o objeto/arte como coisa destinada à visualidade (relação “contemplativa”), busca o tato e o movimento, repõe a sensibilidade recalcada pelo tecnicismo do movimento concreto. Cor, estruturas, palavras, fotos, dança, corpo, definem a obra. A participação física é o centro e o interlocutor do acontecimento/arte, o conceito de visão envolve todo corpo, difícil não pensar na fenomenologia de Merleau-Ponty. Nas palavras de Mário Pedrosa, em 1965: “A beleza, o pecado, a revolta, o amor dão à arte deste rapaz um acento novo na arte brasileira”. O trabalho de Hélio Oiticica teve uma inserção no ambiente cultural de vanguarda deste país, no momento de sua maior produtividade. Dos Metaesquemas (desenhos em 58/59, quando o artista era integrante do grupo Frente) aos ambientes de 69, um percurso que incorporou a improvisação e a expressividade corporal para construir um trabalho. Rompeu com a noção de quadro e libertou a cor da relação figurativa. A cor deixou de ser um aspecto visual, nos ambientes e nos objetos, o espectador era convidado para o contato físico. Penetráveis (maquetes). Bólides (objetos de vidro com pigmentos para serem manipulados), Parangolés (capas para vestir o corpo). Passista da Mangueira. Tropicália. “Tropicália é a primeiríssima tentativa consciente, objetiva, de impor uma imagem obviamente brasileira” ao contexto atual da vanguarda e das manifestações em geral da arte nacional. Tudo começou com a formulação do Parangolé, em 1964, com toda a minha experiência com o samba, com a descoberta dos morros, da arquitetura orgânica das favelas cariocas (e conseqüentemente outras, como as palafitas do Amazonas) e principalmente das construções espontâneas, anônimas nos grandes centros urbanos – a arte das ruas, das coisas inacabadas, dos terrenos baldios, etc.” H.O. “Propositadamente quis eu, desde a designação criada por mim de “tropicália” (devo informar que a designação foi criada por mim, muito antes de outras que sobrevieram, até se tornar a moda atual), até os seus mínimos elementos, acentuar esta nova linguagem com elementos brasileiros, na tentativa ambiciosíssima de criar uma linguagem nossa, característica, que fizesse frente à imagética Pop e Op internacionais, na qual mergulhava boa parte de nossos artistas”. H.O. Uma manifestação ambiental em que, ao penetrá-la, o espectador era bombardeado por imagens sensoriais, devendo reagir com todos os sentidos, a Tropicália foi instalada pela primeira vez em 1966, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Irreverente, rigoroso e anarquista ao mesmo tempo, coerente com suas propostas, tinha um perfeito domínio intelectual sobre seu próprio trabalho. Mais do que uma instalação de arte, a Tropicália era um pensamento avançado sobre a arte brasileira. “Como se vê, o mito da tropicália é muito mais do que araras e bananeiras: é a consciência de um não condicionamento às estruturas estabelecidas, portanto altamente revolucionário na sua totalidade. Qualquer conformismo, seja intelectual, social, existencial, escapa à sua idéia principal”. H.O. – 1968. A experiência de Hélio Oiticica parte do concreto para a periferia do projeto construtivista, adotando procedimentos estranhos como: a marginalidade, a crítica à produção industrial, a participação do corpo na leitura da obra. No princípio era Mondrian e Malevitch; depois, o outro lado da modernidade: Marcel Duchamp. Uma trajetória exemplar, na forma como transformou o seu trabalho, fazendo da existência a condição da arte. A vida de um artista não explica a obra; mas, se comunicam, principalmente no caso de Oiticica. Seu trabalho é resultado de sua relação tensa com o cotidiano, que via na marginalidade uma idéia de liberdade; aliás, o artista não é um marginal que empresta seu corpo ao mundo, para transformá-lo em pintura?! (Marleau-Ponty). Com a Tropicália, Oiticica submeteu a brasilidade a uma inteligência rigorosa, sem perder o referencial poético. Uma proposta cultural que buscava algo à margem, ou melhor, entre “o visível e o invisível”; construir, com a experiência sensorial, um pensamento.


L’image, prise à Recife (état du Pernambouc) en 1979, est floue. Mais le parcours artistique des deux jeunes hommes d’alors ne l’est pas le moins du monde. Almandrade, à droite sur la photo au côté d’Hélio Oiticica, ainsi, trente ans après la disparition de son ami – artiste, inventeur de l’œuvre Tropicália qui donnera son nom au mouvement Tropicalisme, fondamental pour l’histoire de l’art de la deuxième partie du XXe siècle au Brésil – revient sur le legs et sur la trace. Nous traduisons donc en français ce texte de notre ami Almandrade, qui est aussi, comme artiste, le repère incontournable pour l’art contemporain à Bahia en 2010.

Caetano Veloso usando Parangolé, de Hélio Oiticica

Trente ans sans Hélio Oiticica – Liberté marginale, par Almandrade Pour Hélio Oiticica l’art était une option de vie contre toute forme d’oppression sociale, intellectuelle, esthétique, politique… Inventeur, théoricien, il a reflété et interrogé la brasilinité et l’universalité de l’art, toujours inconformiste et indifférent à la mode. Art concret, néoconcret, Parangolé, Tropicália, avant-garde brésilienne des agitées années soixante, White Chapel Galery (Londres), six ou sept années de New York, une vie sous tension à faire de l’art et à habiter le monde. En rompant avec l’objet/art comme chose destinée au visuel (relation « contemplative »), cherche le tato et le mouvement, repose la sensibilité rechaussée par le technicisme du mouvement concret. Couleur, structures, mots, photos, danse, corps définissent l’œuvre. La participation physique est le centre et l’interlocuteur de l’événement/art, le concept de vision implique tout le corps, et il est difficile de ne pas penser à la phénoménologie de Maurice Merleau-Ponty. Rappelons les mots de Mario Pedrosa, en 1965 : « La beauté, le péché, la révolte, l’amour donnent à l’art de ce garçon un accent nouveau à l’art brésilien ». Le travail de Hélio Oiticica a eu une insertion dans le paysage culturel de l’avant-garde de ce pays, au moment de sa plus grande productivité. Des Metatesquemas (metaschémas) (dessins en 1958/1959, quand l’artiste intégrait le groupe Frente) aux ambiances de 1969, un parcours qui a incorporé l’improvisation et l’expressivité corporelle pour construire un travail. Il a rompu avec la notion de cadre et a libéré la couleur de sa relation figurative. La couleur a cessé d’être un aspect visuel, dans les ambiances et les objets, le spectateur était invité pour le contact physique. Penetrâveis (maquettes). Bolides (objets de verre avec des pigments à manipuler), Parangolés (capes pour se vêtir le corps). Promeneur à Mangueira*. Tropicália. « Tropicália est la toute première tentative conciente, objective, d’imposer une image clairement brésilienne » au contexte actuel de l’avant-garde et des manifestations en général de l’art national. Tout a commencé avec la formulation de Parangolé, en 1964, avec toute mon expérience du samba, avec la découverte des morros**, de l’architeture organique des favelas de Rio de Janeiro (et conséquemment les autres, comme celles sur pilotis de l’Etat de l’Amazonas) et principalement des constructions spontanées, anonymes dans les grands centres urbains – l’art des rues, des choses non achevées, des terrains en friches, etc. » Par proposition je voulais, depuis la désignation créée par moi « tropicália » (je dois informer que la désignation fut créée par moi, bien avant d’autres qui ont survécu, jusqu’à devenir la mode actuelle), jusqu’à ses minimes éléments, accentuer ce nouveau langage avec des éléments brésiliens, dans la tentative extrêmement ambitieuse de créer notre langage, carctéristique, qui puisse faire face à l’imagética Pop et Op internacionaix, dans lequel baignait une bonne partie de nos artistes. » Hélio Oiticica Une manifestation environnementale en laquelle, à la pénétrer, le spectateur était bombardé par des images sensorielles, devant réagir avec tous ses sens, la Tropicália (photo noir et blanc ci-dessous) fut installée pour la première fois en 1966, au Museu de Arte Moderna de Rio de Janeiro. Irrévérente, rigoureuse et anarchiste en même temps, cohérente avec ses propositions, elle possédait une parfaite maîtrise intellectuelle sur son propre travail. Plus qu’une simple installation artistique, la Tropicália était une pensée en avance sur l’art brésilien. « Comme on le voit, le mythe de la tropicália est beaucoup plus que perroquets et bananiers, c’est la conscience d’un non conditionnement aux structures établies, par conséquent hautement révolutionnaire dans sa totalité. Quelque conformisme, qu’il soit intellectuel, social, existenciel, échappe à son idée principale ». Hélio Oticica, en 1968. L’expérience d’Hélio Oiticica part du concret pour la périphérie du projet constructiviste, adoptant des procédés étranges comme la marginalité, la critique à la production industrielle, la participation du corps dans la lectue de l’œuvre. Au début était Mondrian et Malevitch ; ensuite l’autre côté de la modernité : Marcel Duchamp. Une trajectoire exemplaire, dans la forme comment il a transformé son travail, faisant de l’existence la condition de l’art. La vie d’un artiste n’explique pas l’œuvre, mais ils se communiquent, principalement dans le cas de Oiticica. Son travail est le résultat de sa relation tendue avec le quotidien, qui voyait dans la marginalité une idée de la liberté ; d’ailleurs, l’artiste n’est-il pas un marginal qui prête son corps au monde, pour le transformer en peinture ? (Merleau-Ponty). Avec la Tropicália, Oiticica a soumis la brasilinité à une intelligence rigoureuse, sans perdre le référenciel poétique. Une proposition culturelle qui cherchait quelque chose à la marge, ou pour le dire mieux, entre «le visible et l‘invisible», construire, avec l’expérience sensorielle, une pensée. Almandrade

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13
Jul 10

MITOS VADIOS 2

por Octaviano Moniz

CARTA MANIFESTO

Para todos os artistas de todos os estilos e tendências das artes visuais

Está aberta a convocação!

Todos os artistas estão convocados para se manifestar em frente à Bienal de 2010, que acontecerá em São Paulo, em setembro, na véspera da abertura.

Será a BIENAL ALTERNATIVA 2010

Depois da última Bienal, em 2009, pedimos uma real e profunda reflexão, pois nela não vimos Arte em suas várias representações.

Para este ano de 2010, já se desenha uma Bienal confusa, com declarações sem conceito definido: arte política, terreiro, posições desencontradas, explicações que mudam a cada dia, parecendo visar apenas agradar à mídia, sem uma verdadeira preocupação com a Arte, sem pesquisa sólida ou escolha fundamentada.

Já se faz notar que a Bienal maquiará uma feira, alternando interesses de mercado e grupos de amigos, em acordos previamente acertados, sem nenhuma lógica ou justificativa.

Nenhuma pesquisa – ou conselho – para a formação do grupo curatorial.

A chamada de ordem do poder grita mais alto e não é, necessariamente, a real expressão da arte.

Arte política se faz por simbolismos, denunciando poderes autoritários ou regimes de repressão.

Daí a ideia de fazer política democrática organizando uma manifestação para que todos os artistas possam levar sua mensagem através de uma obra, de qualquer estilo ou forma, para fazermos um grande cordão em volta do prédio da Bienal, fazendo mostrar que não se conhecem a produção real da arte.

Depois da crise, o mercado tenta novamente estender seu domínio, mas devemos ter uma posição firme, clara, para um melhor e mais promissor mundo da arte, promovendo uma ação e reflexão, para alimentar com consistência a nossa cultura.

Será esta a possibilidade de mostrarmos o que verdadeiramente se produz atualmente.

Proponho, logo após o cordão, fazermos uma grande montanha de obras e vamos descobrir qual será o seu destino.

Mostrando claramente as parcerias disfarçadas de conceitos contemporâneos de destino certo: o mercado especulativo, que prevê retorno do investimento, a bolha (ilusória) da arte.

Pelo muito que já foi divulgado na mídia e em redes sociais da internet, a 29ª. Bienal será um ‘make-up’ (influência da São Paulo Fashion Week?), uma feira com interesses de grupos que faturam no mercado de arte e artistas partícipes destes acordos ‘the dark side of the moon’ da Bienal. Sorry, Pink Floyd, pela lista dos “Deuses do Olimpo”.

E o público?  Ninguém pensou na importantíssima função sócio-educativa para as massas?

Nós pensamos e vamos fazer a Bienal de todos.

COMPAREÇAM COM UMA OBRA DE QUALQUER FORMATO OU ESTILO NO 1º. DIA DA BIENAL.

VAMOS CRIAR UMA BIENAL DEMOCRÁTICA e não oficial, como nunca foi visto, vamos ativar o circuito artístico e mostrar que BIENAL POLITICA tem que ser DEMOCRÁTICA.

IVALD GRANATO 2010

http://mitosvadios2.blogspot.com/

Consulta: Octaviano Muniz / Rita Alves

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13
Jul 10

FELIZ DIA DO ROCK

Letra de Adelino Moreira, por Camisa de Vênus

Quis conter-me mas não pude
Revoltado com a atitude dessa gente original
Que pensa ser incomum e julga todos por um
E prega sem ter moral
Insensatos pregadores
Esses cruéis detratores
Agem quase sempre assim
São imbecis personagens
Molares das engrenagens
Que sentem inveja de mim

Dizem que eu encarno o mal
Que eu não passo de um radical
E que sempre falo demais
Dizem esses entendidos
Que eu devo tomar juízo
Ser como eles banais

Não os temo e nem me assusto
Mesmo sabendo que o justo
Paga pelo pecador
Pois quem deve não medra
Atire a primeira pedra
E eu mostro o meu valor.

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12
Jul 10

ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO SÓ NÃO VAI QUEM JÁ MORREU

Por Octaviano Moniz

Estou teclando de Salvador da Bahia sob um calor infernal, há dias do começo de sua principal festa: o carnaval.

Falo ou não falo sobre o tema?

Será que rende uma lauda?

Bem, como o assunto me consome o juízo e estarei em retiro espiritual no Butão, tudo pago pela Sepult, vou fazer um breve ”comment”. Mas me obrigaram a assinar um contrato cheio de letrinhas miúdas. Comprei uma lente de aumento, mas já era tarde: eu havia assinado sem ler, confiando na boa fé e nos sorrisos dos autores da proposta. Na viagem, não posso levar notebook, nem em caso de encontrar alguma lan house atualizar o Facebook. Até quando acabar o arrastão de Brown e Ivete Sangalo na quarta feira de cinzas. O carnaval baiano passou por uma grande modificação nos últimos 20 anos. Quando brincava o carnaval com uns 18 anos, havia os bailes tradicionais nos clubes, como o branco e preto no Baiano de Tênis e poucos iam à rua. Só o povão. Hoje tudo mudou. Privatizaram o carnaval e só a elite tem dinheiro para participar dos blocos, enjaulados numa grossa corda puxada pelos “cordeiros”. Estes recebem uma mixaria, mas como a crise assola, se propõem a um trabalho árduo e degradante. Uma espécie de neo-escravidão. Enquanto a elite branca se acaba de beijar na boca, levantar a mãozinha ou dançar a dança da galinha, os cordeiros, quase todos negros, protegem os pequeno burgueses e puxam a corda. Sem eles não haveria carnaval e, muitas vezes, trabalham sem equipamento adequado como luvas, bonés e tênis. Há 20 anos, blocos como Jacu, Amigos do Barão e Apaches do Tororó não tinham cordas segregacionistas. Era um carnaval verdadeiramente popular. Agora ainda inventaram os caríssimos camarotes aonde você pode fazer massagem, tomar banhos de ofurô, dançar musica eletrônica e todo tipo de mordomia que justifique o preço exorbitante. E o povo? Pula na “pipoca”que o governo petista (como gasta em publicidade!) promete uma serie de atrações. Ano eleitoral. Mas como os blocos saem um atrás do outro e são dezenas, os pipoqueiros ficarão espremidos entre um bloco e outro. Pobre patuléia. Os blocos hoje são grandes empresas gerenciadas de modo profissional e que tem como objetivo o lucro. Dane-se o folião! Paga caro e tem que engolir calado. Outra parte da patuléia quer tirar um “troco” no Carnaval e dorme os 5 dias na rua, vendendo cerveja, água e cachorro quente para os endinheirados. Como os preços sobem a cada ano e a Bahia não é um estado rico, o percentual de turistas nos blocos cresce exponencialmente.Você pode comprar seu abadá em qualquer cidade brasileira. A música é medíocre, repetem-se refrões que os foliões já altos pelo álcool repetem freneticamente. O tema das musicas é quase sempre o amor, o desejo, o gozo, para induzir o ouvinte a participar de uma verdadeira festa em homenagem a Dionísio. Ou Calígula. Os cantores são pop stars, milionários e basta apenas aumentar os níveis hormonais dos foliões para que ninguém reclame da musica patética e do preço pago por um arremedo de vestimenta. Que as gatihas ainda customizam para ficar mais “in”. Conclusão: o carnaval virou uma grande e organizada industria e quem lucra são os donos de bloco e camarotes. Quanto à prefeitura e ao estado, tenho minhas dúvidas dos números apresentados. Um verdadeiro teatro do absurdo. Milhares de jovens seguindo um monstruoso caminhão em que um pop star canta musicas de quinta categoria e ainda pagam quase dois salários mínimos. Como diz a musica, atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu. Como não vou, estarei no Butão, pela lógica matemática estou morto. E enterrado no belo  mausoleu da família no Campo Santo, o cemitério VIP de Salvador.

Agradeço os que forem orar por minha alma, que perdi em Londres e nunca mais achei.

Se alguém encontrar, favor devolver ao proprietário. Como estou para ser canonizado, já recebi ligação do Vaticano (o mausoléu é chic), podem fazer seus pedidos para São Tatau. Ele atende. Feliz carnaval e amém meus filhos. Que Odé Kayodê proteja vocês das balas perdidas e gangs que atuam no carnaval! Axé!

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10
Jul 10

FaceBook, a terra da ARTE

Dados coletados no Facebook de Guido Cavalcante.

BLUE

Nos primeiros anos da sua carreira a sua técnica se limitava ao uso do spray, a ferramenta típica da cultura do graffiti. Seu estilo característico surgiu em 2001 , quando BLU começou a pintar com tinta de paredes usando rolos montados em varas telescópicas . Esta nova solução permitiu-lhe aumentar a área de superfície pintada e transmitem uma forte intensidade de seu vocabulário visual. Grandes figuras humanas , às vezes sarcásticas , às vezes dramáticas, começaram aparecer pelas ruas de Bolonha. Outro aspecto que influenciou o início de sua carreira foi a prática de uma ação artística coletiva. Artistas como Dem, Sweza, Run e, acima de todos, Ericailcane, foram seus companheiros durante os ataques noturnos, onde a participação anônima superou a necessidade de assinar as suas peças. A colaboração com Ericailcane teve seus melhores resultados durante o período de 2003-2006 . As duas personalidades se completaram em uma harmonia extraordinária: enquanto BLU pintava suas características figuras humanas, Ericailcane desenhava seus animais típicos. Os dois artistas, amigos na vida real, continuam a trabalhar juntos, embora com menos freqüência. A partir de 2004, algumas galerias de arte notaram o valor artístico de BLU e o convidaram a participar de mostras coletivas. Pelo que se sabe, felizmente BLU procurou limitar a sua presença dentro dos bastiões da arte oficial, preferindo se manter no território das ruas e avenidas e das paredes descascadas.

Videozinho de Ericailcane, na sequência…

e, ainda, um álbum INTEIRO desse artista SUPER!

http://www.xmarkjenkinsx.com/

Guido, cai pra cá menino!

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9
Jul 10

Bahia, a terra do inusitado

Por Octaviano Moniz

O ex-governador baiano Octavio Mangabeira disse num dia de inspiração ímpar: “pense em algo inusitado. Já aconteceu na Bahia”. Mudando de um pólo a outro mas com uma interconexão: não tivemos nas terras de Caramuru uma Semana de Arte Moderna. Daquelas de parar o tráfego e os artistas ouvirem os piores adjetivos do Aurélio Cult. Existe, sabiam?
Em Sampa, onde ocorreu a Semana de Arte Moderna de 22, buscava-se uma arte verdadeiramente nacional,descolada da grande tradição de mestres como Rembrandt ou Caravaggio. Mas apesar da tentativa, muito do produzido tinha sido captado dos vanguardistas europeus da época. Ainda existia o conceito de vanguarda, de buscar o novo, transcender a escola anterior .O “pai” de Narizinho, Monteiro Lobato, o homem do petróleo, conservador conhecido ficou furioso e via mídia detonou o movimento.
E aqui na Bahia? Os artistas, entre um cochilo e outro na varanda, pintavam seguindo os cânones clássicos e quando conseguiam trocar uma obra por uma garrafa de cachaça era comemoração certa. Pancetti, marinheiro deste “mundo de meu Deus”, e dono de estilo inconfundível ao retratar o mar, não se deixou influenciar pelas escolas estrangeiras e o pintou como o via. Era o mar de Pancetti e ponto final. Muito amigo do poderoso Dr. Clemente Mariani, vendeu a preços irrisórios muitas obras que hoje orgulham seus descendentes e também colecionadores donos do Banco da Bahia Investimentos. Mais uma história de suor e lágrimas, o artista fabuloso que enquanto em vida passa pelas provações terrenas e o julgamento subjetivo e mercadológico de marchands e compradores.
Outros artistas que aqui existiam, considerados pelos “experts” locais como jóias da coroa, ou da “igreja”, afinal são deles que enganam os endinheirados baianos, nem vou citar os nomes pois  são meros arremedos de uma arte mal feita do século XIX. Em tempo: a fotografia já tinha sido inventada na época. Vamos entrar no túnel do tempo?
Pulamos para 1950 (aproximadamente), quando Mario Cravo Jr, hoje vivo e com 90 anos, voltava de New York cheio de ideias transgressoras. Juntou-se a Carlos Bastos e Genaro de Carvalho e iniciaram um movimento de arte moderna baiana. O pobre Carlos Bastos, em uma exposição na Biblioteca dos Barris, teve seus trabalhos cortados a gilete. Mario, temperamental, sempre foi visto pela burguesia local como um louco, ademais ser filho de um rico empresário dono do Café Cravo. Mas com toda luta, eles continuaram e hoje todos nós baianos, somos um pouco filhos deles.
Reconhecimento? Mario Cravo pouco vende e o preço nem vale a pena citar. Carlos Bastos, que teve seu período de sucesso, hoje já morto não tem cotação. Muito menos Genaro de Carvalho. Por que? O que os “experts” de camisa social pólo e cabelo escovinha vendem é para combinar com o sofá ou as cortinas.Então no cardápio temos: Bracher, Inimá, Bianco, José Maria, Aldemir Martins, Rescala, Scliar e & Cia que alegram, decoram qualquer ambiente requintado pela assinatura de uma decoradora.
Tem até o curioso caso de uma artista, que se diz contemporânea, que escreve um poema para cada comprador do quadro, e obvio só trabalha com tons pastéis. Pois o “expert”almofadinha vende a artista como água e, como a própria, é insípida e inodora.
Hoje não falarei sobre o mercado de falsificação, mas continua com as máquinas a pleno vapor. E como tem gente que gosta de levar vantagem em tudo: compra gato por lebre. Tiramos deste saco de gatos o primoroso Carybé, mistura de pintor e antropólogo.
Portanto, aviso de amigo: se quiserem comprar  quadros na terra de Gregório de Mattos, fujam das galerias, consultem artistas, visitem ateliers. Tem muita coisa boa escondida dos espaços luxuosos e a bons preços. Isso se você não quiser combinar o quadro com seu sofá. A arte contemporânea está viva, só não melhor por falta de políticas públicas de incentivo aos artistas. Suor e lágrimas. Final romântico.

Links de Octaviano Moniz

http://tataunews.blogspot.com/

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Mosca 7

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8
Jul 10

A BAHIA CONTINUA ACADÊMICA

Xangô, o orixá da justiça. Aquela que tarda, mas não falha!

Por Octaviano Moniz

5:41 AM, em Salvador, a primeira capital do Brasil. E só.
A terra do já foi, já teve. Hoje temos violência, políticos corruptos e otras cositas más. Acabo de receber algumas noticias da ferrenha ditadura cubana: o sonho da terrorista-candidata. O que ela já gastou em botox daria o preço de uma casa popular. Pior: quanto mais estica, mais o nariz cresce. Mas,  a São Salvador de Todos os Santos, o pecado é roubar e não levar. O Novo Evangelho.
Atualmente temos, em quantidade, uma grande produção artística. A qualidade não pode ser julgada: inexiste crítica de arte na terrinha. Na Bahia, temos galeristas poderosos e muitíssimo bem sucedidos. Todos vendendo Prisciliano Silva, Mendonça Filho e outros baianos do início do século XX. Alguém de fora da Bahia já ouviu falar? E enganam até o dono da Odebrecht: Dr.Emílio. Em décadas, a moldura custará mais caro. Como o quadro medalha de ouro de 1922, que meu avô adquiriu no Salão Oficial de Paris. Podia ter comprado um Picasso, um Miró, mas faltou visão dele e dos galeristas.
Apesar de estarmos no século XXI, a arte moderna também está em alta e os decoradores fazem a festa com os novos ricos. Uma profusão de artistas do time B como Bracher, Aldemir Martins, Rebolo, Inimá, Scliar & cia. Também temos uma indústria bem implantada de falsificação de quadros. Carybé e Floriano Teixeira são os preferidos. Como o falsificador é talentoso, nunca compre um quadro aqui sem saber a procedência. Risco alto.

A Bahia não teve uma Semana de Arte Moderna como Sampa em 22. Será por isso andamos na contramão da História? A arte moderna se estabeleceu aqui na década de 50, pelas mãos do escultor Mário Cravo Jr., ainda vivo. Mas foi vista como coisa de maluco e deveras mal compreendida. Até hoje. Mário e alguns amigos, como Carlos Bastos e Genaro de Carvalho, bateram de frente com uma Bahia conservadora, provinciana e retrógrada. Claro, seus trabalhos não foram aceitos e hoje, apesar de ícones históricos, suas obras valem mesmo que um contemporâneo estreante em Sampa. Talvez o argentino-baiano Carybé seja a exceção. Pelo menos entraram para a História e, se Deus ajudar e algum gestor cultural quiser  superfaturar, um livro sobre Arte Moderna Baiana será lançado.
Tudo isso para chegar na minha praia (que já invadiram): arte contemporânea. A produção atual é abundante e recebe influências paulistanas e do primeiro mundo. Os artistas querem entrar no circuito e, como aqui não há galeria de arte contemporânea, tentam ser aceitos fazendo uma arte globalizada. Com a internet, Youtube e Vimeo ficou mais fácil. Porque encontrar revistas nacionais ou estrangeiras de arte é um parto. Talvez quando as vacas voarem , o que acredito esteja bem próximo. Será que Dilma voa?
Temos honrosas exceções e alguns artistas com sólida bagagem cultural trilhando um caminho próprio. Mas vou evitar citar nomes. Meu fã clube não aceita mais inscrições: está lotado. Também um baiano atingiu o estrelato mundial: MAREPE , mas teve que ser descoberto por uma curadora francesa. Ou ia morrer dormindo numa mesa de ping-pong, como nos tempos de dureza na residência universitária.
O mercado baiano só admite arte moderna classe B e falsificações. São os cafetões da arte , os artistas e suas garotas de programa – sendo que estas levam vantagem, pois a profissão já foi regulamentada pelo Congresso Nacional. Quanto à política cultural do governo me recuso a falar. Não dou IBOPE (nem falo de fantasmas). Para mim, não existe. Se quiser, provem o contrário!

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