October, 2010


30
Oct 10

EXPOSIÇÃO DE CAVEIRAS PLUS

VANITAS

Hoje, a arte não é mais sobre o que é bonito, simétrico, harmonioso, delicado, enaltecedor e, principalmente, sobre a ausência da dor – a arte deixou de nos oferecer “modelos” ideais ou sugerir-nos como é  “bela a vida”. A arte não é um cosmético para embelezar a realidade ou proporcionar prazer escapista, mas um martelo para esmagar a nossa complacência. A arte agora reflete uma “perturbadora sensação de perturbação”, como nas paisagens carbonizadas de Anselm Kiefer ou nos grotescos modelos de Lucian Freud, exagerando cada ruga e pelanca de seus retratados. Cabe-nos olhar para a arte contemporânea, pensar, registrar sua mensagem e, talvez, possamos compreender melhor em que nos tornamos. Guido Cavalcante.

PLUS VANITAS + O EXTRAORDINÁRIO MERCADO FLUTUANTE
Exposição das Caveiras da Plus (todas as obras estarão à venda)
02.novembro, Dia dos Mortos, 20h
El Club – Av 115, Setor Sul, Goiânia. Ao lado da academia World, próx a 88.
Artistas PLUS que participam desta mostra: Adão Iturrusgarai, Carlos Rezende,
El Mendez, Lupe, Marcelo Henrique, Mitsuo, Oscar Fortunato, Rustoff
+ convidados Edney Antunes e Rôber Côrtes.

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24
Oct 10

A ESCOLHA DOS ALIMENTOS, MEMORIAL POÉTICO

Comments on Human Behavior, Food Choice, by Carlos Rezende

Examina os bolsos, primeiro o esquerdo, depois o direito. Segue-se a manipulação sistemática dos volumes oleosos, tirando-os do bolso e os colocando na boca seca. Salivando e colocando de volta no outro bolso. E assim sucessivamente. Numa seqüência aparentemente ordenada. As bolas de ferro estavam comprimidas no espremedor de madeira. Testada sua capacidade de resistência, poderia carregá-las nos bolsos. O esvaziamento, as alternâncias, a freqüência, a exaustão.
O ritual obsessivo, a retirada de uma esfera do bolso direito, umedecê-la, colocá-la no esquerdo. Punha na boca, salivava e a devolvia ao bolso direito. Retirava uma segunda esfera do mesmo bolso, umedecia e colocava no bolso esquerdo. E assim sucessivamente. O bolso esquerdo vazio. Pausadamente retirava as bolas de metal, uma a uma do bolso direito, umedecia e transferia para o bolso esquerdo. Sua língua áspera ia em direção a arestas inexploradas. Segue adiante com a transferência das bolas de metal do bolso esquerdo da calça para os bolsos do casaco. Uma a uma, umedecidas. No que restava uma bola de metal a ir do bolso para o casaco, recomeçava o ciclo. Cinco bolas no bolso direito do casaco, seis no esquerdo, ainda restavam duas no bolso extra. Seis bolas no bolso, cuidadosamente recolocadas, umedecidas. Esse mecanismo de distração, mover uma bola de um bolso para outro, poderia ser facilmente representado por uma circunferência e uma seta. O resultado da operação, esferas cuidadosamente umedecidas, uma a uma, em repetição. Algumas umedecidas duas vezes, nem uma sem umedecer.
Ao término de toda a seqüência de transferências, escolher outro bolso ainda vazio e recomeçar, indefinidamente, até o final da operação. Mecanismo de medir a imprecisão, uma ação compulsiva, ditada pela obsessão da passagem do tempo. Tira uma bola de metal do bolso, solta-a sobre a mesa. Os rituais obsessivos preenchem a tarde de ócio e inutilidades voluptuosas. Prever a penetração de um sexo com dedos úmidos, a transferência das bolas de metal, número circense espetacular sem qualquer interesse, a não ser para a evolução do seu estranho método de demarcar o tempo. A repetição absurda desses pequenos gestos o auxiliava na compreensão da essência do tempo. Da durabilidade das coisas associadas à sua dureza, à materialização dos elementos não-naturais. Numa bola de metal, por exemplo, num sentido ordinário, podia entrever afinidades temáticas, no senso estrito do termo. Nas suas divagações sobre a natureza das inutilidades, citava um obscuro inventário de conexões possíveis, arquivados em aparente continuidade. Genealogia espacial desprovida de lógica e eficiência. Riscadas, rasuradas, três circunferências a lápis Derwent, acompanhados ao lado por palavras, detalhes anatômicos, páginas com informações sobre o seu método obsessivo de demarcar o tempo. Desenhos, notas, rascunhos, elementos arranjados em desordem aparente, esquemas curiosos.

http://carlosrezende.wordpress.com/

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20
Oct 10

Adão na PLUS

- Por Tárik Hermano

Uma adolescente ninfomaníaca e seus dois namorados vivendo juntos, um casal de caubóis gays e suas aventuras, uma vida cor de rosa multicolorida e cheia de divagações. Se pra você um sino não tocou na memória e um sorriso não apareceu no canto dos lábios, talvez seja uma boa hora para se lembrar das aulas de história, capítulo contracultura. Adão Iturrusgarai figura como um dos grandes cartunistas brasileiros. Sua experiência é vasta e hoje facilmente encontrada, inclusive na Folha de São Paulo, acompanhado de Laerte, Angeli, Glauco, Liniers, Caco Galhardo, Fernando Gonsales e outros.

O pai da Aline, Rocky e Hudson, La vie en Rose agora mora no Uruguai com sua mulher e seus filhos, continua desenhando e nos fazendo rir entre cotidiano, denúncias e muita sacanagem. E foi de lá que ele nos concedeu essa entrevista para celebrar a venda pela primeira vez de seus originais e seriados por uma galeria de ARTE, no caso, a Plus!

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3
Oct 10

Post Sujo

- Por Tárik Hermano

José Ribamar Ferreira nasceu em São Luís – MA, aos 10 de setembro de 1930. Filho de Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart, o poeta, dramaturgo, ensaísta, crítico de arte, biógrafo, tradutor e memorialista foi um dos fundadores do neoconcretismo.

Considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes de 2009, foi indicado em 2002 ao Nobel de Literatura, tem em sua coleção prêmios como o Jabuti, o Saci, o Molière e inclusive o maior prêmio literário da língua portuguesa – o Prêmio Luis de Camões.

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