January, 2011


30
Jan 11

Pierre Molinier, por Guido Cavalcante

Pierre Molinier, nascido em 1900, era um pintor menor, quando em 1955, André Breton lhe produziu uma exposição. Nem poderia ter previsto que Molinier estava prestes a se tornar um grande artista surrealista. Em seus 60 anos, ele produziu uma série impressionante de fotografias sexualmente carregadas. Faces e nádegas enfrentam a câmera ligadas a um único corpo, desconfortavelmente apertados, membros chegando de todos os lados como das regiões mais baixas do Inferno de Dante ou do lírico desespero de Rimbaud. A fotomontagem se torna uma espécie de trocadilho visual, e Molinier antecipa as construções pós-modernas de Cindy Sherman e Lucas Samaras, ou alguns aspectos da cultura gay. A sinceridade assustadora dessas fotos, obviamente, não pode ser parte da vida de alguém como eu ou você, que vêmos o sexo apenas figurativamente como “prazer”. As imagens de Molinier, ao contrário, nos lembram do relacionamento entre o surrealismo e o desejo freudiano de morte. Para Freud, o desejo de morte é um desejo, bem como uma compulsão, um desejo tão poderoso como o erotismo. Deve ter sido assim para Molinier. Ele cometeu suicídio em 1976.

Texto: Guido Cavalcante

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24
Jan 11

VIP Art Fair, na Folha de SP

Feira de arte virtual congrega colecionadores em 139 galerias

Galeristas de 30 países vão exibir suas obras e atender clientes na web durante uma semana

Críticos, colecionadores e visitantes poderão compartilhar seus roteiros em redes como Facebook e Twitter

MARIANA BARBOSA
DE SÃO PAULO

Galeristas, artistas e colecionadores de diversas partes do mundo se “reúnem”, a partir do dia 22, na primeira feira de arte a ser realizada exclusivamente na internet: a VIP Art Fair (vipartfair.com).
Sem sair de casa, será possível navegar por 139 galerias de 30 países, conferindo obras de artistas renomados como Francis Bacon, Jackson Pollock e Damien Hirst, além de centenas de jovens artistas do mundo todo.
O evento acontece em tempo real, com salas de bate-papo e troca de mensagens entre galerias e colecionadores. Para atender a demanda de compradores dos mais diferentes fusos horários, as galerias ficarão abertas de 12 a 18 horas por dia, no período de 22 a 30 de janeiro.
Criação de James e Jane Cohan, donos da galeria James Cohan, de Nova York, em associação com um casal de empreendedores do Vale do Silício, a feira pretende capturar o interesse de novos e afluentes colecionadores, sobretudo de países emergentes.
“Como todas as galerias vão convidar seus clientes mais ativos, e sem a necessidade de viajar, nossa expectativa é que a feira vire um lugar para colecionadores descobrirem novas galerias, de outros países”, disse à Folha Jane Cohan, que também representa a artista brasileira Beatriz Milhazes em Nova York.
Ela acredita que a internet levará um novo público para o mercado de arte. “A internet é uma grande plataforma para introduzir artistas e obras de arte e estreitar o relacionamento com colecionadores.”
Cohan espera uma forte presença de chineses e brasileiros. A China estará presente com cinco galerias, além de duas de Taiwan e uma de Hong Hong. Do Brasil, estão confirmadas as galerias Raquel Arnaud, Fortes Vilaça, Nara Roesler, Luisa Strina e A Gentil Carioca.
“Os colecionadores chineses, que antes só compravam obras chinesas, estão cada vez mais ativos, procurando trabalho de artistas internacionais”, diz Cohan.
As obras começam em US$ 2.000 e vão até US$ 1 milhão. Cohan não fala em expectativa de vendas. As transações serão feitas diretamente com as galerias.

INGRESSOS E ACESSO
A feira ganhará com a venda de ingressos e também com a venda dos estandes virtuais, que custarão de US$ 3.000 a US$ 20 mil, dependendo do tamanho.
Os ingressos “VIP” custam US$ 100 e garantem acesso exclusivo aos dois primeiros dias da feira. A partir do dia 24, o preço cai pra US$ 20. Mas quem quiser apenas passear pela feira, sem comprar, poderá apenas se cadastrar, sem pagar. Porém, o visitante não terá acesso ao preço das obras.
A feira terá vídeos exclusivos com visitas a estúdios de 18 artistas e a coleções renomadas da China, dos Estados Unidos e do Japão.
Na era do compartilhamento, visitantes poderão registrar seus roteiros de visita e exibi-los no Facebook ou Twitter. Também será possível conferir os roteiros feitos por críticos e colecionadores.
As obras serão expostas em um mural virtual e um super zoom permitirá visualizar detalhes. A ideia, segundo Jane Cohan, é transformar a feira em um evento anual.
Para Fernanda Feitosa, responsável pela SP Arte, maior feira comercial de arte do país, uma feira virtual tem como grande vantagem eliminar transtornos com transporte internacional de obras.
“É muito prático. Já tem muita gente que compra por catálogo, nos leilões. Para o colecionador experiente, o fato de não ver a obra não é problema”, diz. Ela lamenta, porém, a falta de interação real. “Nada substitui a energia do encontro real.”

Fonte: Folha de SP

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19
Jan 11

Jovens empreendedores inovam e mudam cenário das galerias de arte londrinas

http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1642278-17665-315,00.html

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9
Jan 11

SOBRE CULTURA & ARTE POPULAR BRASILEIRA

por Sante Scaldaferri
via Octaviano Moniz  – TATAU NEWS – www.tataunews.blogspot.com

Sante Scaldaferri

Se queres ser universal, comece por pintar a sua aldeia.
Leon Tolstoi (1828-1910)

É muito importante a preservação das manifestações espontâneas da nossa cultura popular. Principalmente as do Nordeste, de uma riqueza imensa. Todas as manifestações populares do povo do Nordeste, como artesanato, arte e cultura, messianismo, religiosidade, as represento através da apropriação do ex-voto, que, no meu trabalho, é um signo/símbolo para expressar toda esta riqueza, todo o meu pensamento e todo o meu sentimento. Desde o início da minha carreira que penso assim. O surgimento da obra de arte na minha pintura é decorrente da transfiguração de uma temática abrangente da cultura e arte do Nordeste brasileiro, associada a uma linguagem contemporânea internacional vigente na época. A forma muda conforme aparecem novas linguagens, mas o conteúdo permanece o mesmo. É uma busca incessante por uma identidade cultural brasileira. Isto acontece até hoje, sempre coerente com o meu pensamento, sem fazer qualquer tipo de concessão.

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6
Jan 11

O MUSEU E SUA FUNÇÃO CULTURAL

por Almandrade, via Octaviano Moniz.

Almandrade,pioneiro na arte contemporânea baiana e o saudoso Helio Oiticica,em 1979 no Recife

O homem está sempre preocupado em preservar sua história e sua memória, colecionando artefatos. Ele tem acesso ao seu passado através de relatos ou depoimentos de testemunhas oculares, textos, enfim documentos. Quando se defronta com a coleção de imagens e objetos, particularidades da vida social, signos que habitam um museu, caverna moderna onde o homem urbano fixa nas paredes os enigmas de sua passagem no tempo ou no mundo. Com isso, não quero dizer que o museu é um caminho em direção ao passado, ele é um lugar de possíveis diálogos entre passado, presente e futuro. Olhar o passado é “estabelecer uma continuidade entre o que aparentemente deixou de ser e o que ainda vai ser”, (Frederico Morais).

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4
Jan 11

Discurso de posse da ministra da Cultura Ana de Hollanda

MINISTRA DA CULTURA DO BRASIL

Brasília, 03 de janeiro de 2011.

Posse da nova ministra

Discurso de posse proferido pela nova ministra da Cultura, Ana de Hollanda.

Excelentíssimos Srs. ministros e ministras, senadores e deputados, demais autoridades presentes, caríssimos servidores do Ministério da Cultura do Brasil,

Minhas amigas, meus amigos, boa tarde.

Antes de mais nada, quero dizer que é com alegria que me encontro aqui hoje. Uma espécie de alegria que eu talvez possa definir como uma alegria densa. Porque este é, para mim, um momento de emoção, felicidade e compromisso.

Sinto-me realmente honrada por ter sido escolhida, pela presidenta Dilma Rousseff, para ser a nova ministra da Cultura do meu país.

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