Dylan´s Day

Oscar Fortunato, linoplasto, para expo Outsider

 

Por Eduardo Bueno

Bobby Dylan acordou hoje mais cedo do que de costume. Havia uns ruídos estranhos no sótão e, intrigado, ele subiu para ver o que era. Abriu a porta em formato de alçapão e, vestidos com chapéus de cone de papel e com líguas de sogra pendendo das mãos ou dos bolsos, lá estavam Rimbaud e Verlaine (em paz consigo mesmos), Alfred Lord Tennyson, Lord Byron, Shelley, an italian poet form the thirteen century, Fernando Pessoa, Lupicínio Rodrigues, Ezra Pound and TS Elliot (fighting in the captain´s tower), Woody (com sua máquina de matar fascistas) e, vendo tudo com os olhos da alma, Blind Willie. Estavam arrumando a mesa do café da manhã – como não tinham pão, serviram brioches, arrumados entre os vasos de bisque com petúnias. Era a much less than a million dollar bash – era a Bob´s fest com a a slow breakfast in his honour. Eles sentaram lá por duas horas, lendo poemas e cantando baladas e trovas medievais. Depois, foram todos embora, deixando de presente pro aniversariante uma jukebox Wurlitzer com onze mil músicas que eles haviam passado a noite anterior cuidadosamente selecionando. Bob agradeceu com um meneio de cabeça e uma lágrima furtiva e enquanto Einstein, disfarçado de Robin Hood e tocando violino elétrico ia deixando o recinto, botou a primeira música a rodar. Dizem que ele ainda está lá em cima – e não tem hora pra descer…

 

Foto do aniversário de 25 anos de Bob Dylan, festejado em Paris, em 24 de maio de 1966

 

 

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