O “novo” Zoo de Goiânia

Texto e foto de Oscar Fortunato 

 

Hoje fui ao “novo” Zoológico do alcaide Paulo Garcia. Doenças, maus tratos – que resultaram na perda de mais da metade de seu plantel -  e, lógico, um ou outro que não pode frequentar o requintado estabelecimento do senhor Fritz, o inefável do Açougue Irmãos Staden. A reforma, que durou uma eternidade, em nada mudou a vida miserável dos pobres animais que desperdiçam suas existências para o gáudio dos abobalhados extra-vidros, eu e minhas crias aumentando essa triste conta. Curiosidades sempre tiveram preços altos e nem sempre quem paga é o curioso. Acho que zoológicos como o nosso deveriam envergonhar qualquer pessoa. Percebe-se nos animais, especialmente nas aves e nos felinos, uma tristeza desesperadora. Olham nos olhos daqueles que conseguem enxergar. Mudaram as jaulas. Parece que contrataram um desses moços casacor para dar um tapa no habitat e o resultado é uma instalação de gosto duvidoso que a maioria dos animais apenas a utiliza para ter certeza de que fizeram tal coisa. Tiraram as grades. Sim, tiraram e colocaram um vidro de 15 milímetros que, pelo jeito, foi o mais vagabundo possível. Os vidros embaçam e, dependendo da hora do dia, apenas o enjaulado consegue te ver, como naqueles filmes americanos. O vidro embaçado exige muita imaginação para ver o casal de babuínos sagrados, a mesma imaginação necessária para ler uma placa enferrujada a 140 km por hora debaixo de uma tempestade à noite entre Mundo Novo e Mozarlândia. Poucos tentaram. As ariranhas agora têm total privacidade graças ao vidro opaco. Sempre achei que houvesse uma manada de hipopótamos lá mas, para minha surpresa, apenas conseguimos ver um casal. Talvez aquele já mencionado admirador dos produtos do comércio de nosso bravo alemão e, não dispondo de muitas posses para se aventurar em uma orgia gastronômica, tenha surrupiado e comido alguns deles. Não se assuste, estamos em um lugar em que é muito comum o consumo de antas, capivaras, tatus, tamanduás, emas, teiús e outras coisas que pulam, voam ou rastejam.

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