EXPOSIÇÃO DO TUNGA, NA BAHIA

Por Octaviano Moniz

Os artistas Octaviano Moniz e Diego Cardoso

Jantei ontem as 6:30 PM. E você com isso? Sei, mas calma aí, comi salada e bife grelhado com verduras, estou acima do peso e, alem disso, velho, careca e de óculos nem o diabo quer. Tudo isso para chegar a tempo na expo de Tunga e ter onde parar o carro. Tem seguro, mas sou só um pouquinho paranóico. Parei na porta do prédio onde ACM morava, pra fechar o corpo. Mãe Stella sempre me disse: a pior macumba é o olho alheio.

Não precisava tanta antecipação, tinham vagas de sobra e uma voz me disse : – Octaviano (ela não conhece meu apelido) é exibição de arte contemporânea. Entrei com minha pontualidade britânica e estava vazio. 7:00PM, o artista famosésimo mundo afora, e que considero junto a Cildo,Waltercio e Zé Resende os tops do Brasil de hoje [nada de brigas menino(a)s]. Mas o público (ou seria tribo?) queria ver o realismo soviético, quando lotam certas galerias e e museus locais. Olho com tristeza, pois sei que não é uma questão de horário mas de educação do olhar artístico ,que deveria ter começado na escola. Na Inglaterra, agora as crianças terão 10h semanais para visitar museus, ateliers e terem aulas de arte. Mas nosso país é pobre. É mas nem os ricos, nem os novo-ricos, apareceram. Eu era dos mais velhos no salão. 8 PM e só a garotada ligada às artes plásticas. Pior nem os artistas locais compareceram. Dá para citar os que foram. Preconceito? Sei lá, os artistas tendo uma oportunidade de verem uma criação ousada, fora dos padrões, motivo de inspiração, preferiram ficar em casa vendo Passione, tenho certeza. Ou como era sexta feira, dia de branco, enchendo a cara em algum bar e falando mal da expo. Sem ver. Por isso, a Bahia não teve ninguém na Bienal de SP, no Premio PIPA, os artistas não se interessam, não têm tesão pela arte mas sim  por vender, ganhar prêmios, se autopromover… querem exclusividade de mercado. Só pode exibir se for baiano. Então, perde-se o intercambio, a troca de informações, a oportunidade de tirar algum proveito para o próprio trabalho. Isso me irritou, mas conheço o ego dos artistas e seu modus operandi, do qual já fiz parte. Similar aos surfistas “black-trunk” do Hawai, a praia é minha e só surfa minha galera. Perderam, pois Tunga é super simples, fala com todo mundo, nem parece o star que ele é, e você artista tendo orgasmos com a novela da Globo. Depois não reclame que seu trabalho não sai do quintal. É dando que se recebe. Sobre a ausência da pseudoburguesia baiana nem vou perder meu tempo. Eles ainda estão no pré-impressionismo, esperando Van Gogh cortar a orelha para despertarem. São ricos em dinheiro, mas pobres ignorantes de alma. Se fosse uma exposição de bolsas Hermes ou scarpins Loboutin, a casa estaria lotada. Para os homens sugiro uma mostra de relógios Rolex. Falsificados. Sr.Secretario de Cultura, vamos dar a Cesar o que é de Cesar: a baianada  é cafona até cair, eles querem arte acadêmica, nem preciso citar nomes, mas tem que ser bem colorido e decorativo. Pena não poder colocar o vídeo Triste Bahia (com poesia de Gregório de Matos) do Youtube, no texto. Fica para o futuro. Então já terei morrido e tenho dúvidas, será que a Bahia vai continuar acadêmica? Estará a explicação nos gens alelos baianos? Desculpe Tunga. A expo estava soberba. Obrigado por ter vindo.

Aqui, podemos colocar o video, Tatau – obrigada pelas palavras.

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