Entrevista Concedida a Alex Mateus

E publicada no site Sijoga

Plus Galeria é um espaço virtual que se baseia no comércio facilitado e transparente de obras de arte, como pinturas, desenhos, objetos, gravuras, monotipias, assemblages, entre outros. Com a participação intensa de mais de trinta profissionais envolvidos no projeto, uma espécie de galeria ultracontemporânea. Com alguns cliques o público interessado pode conhecer mais sobre as obras de arte expostas na própria casa e ainda adquirir trabalhos dos mais diferentes artistas. Uma facilidade a mais para se democratizar a arte.

Photo: João Augusto

Atuando no mercado goiano desde maio de 2010, a Plus Galeria ganha reconhecimento por sua atuação no mercado de obras de arte. Segundo as palavras de sua idealizadora, Lydia Himmen, o projeto é ainda um bebê. Mas um bebê que já chama muita atenção de todos. Diversos artistas participam da Galeria e fazem do espaço virtual uma mescla de cores e criatividade, entre eles estão Adão Iturrusgarai (sim, este mesmo: o pai da Aline), Amorim, Carlos Rezende, Dalton de Paula, Ebert Calaça, El Mendez, Fernando Carpaneda, Galvão Bertazzi, Lupe, Oscar Fortunato, Rodrigo Flávio, Rustoff e Zé César.

Lydia Himmen concede uma entrevista na qual fala um pouco sobre sua trajetória e sua relação com a arte.

Quem é Lydia Himmen? Fale um pouco sobre você e suas experiências cotidianas de vida com a arte.

Foi a partir de 1995 que comecei a atuar profissionalmente na área cultural, em Goiânia. Na época da Escola Técnica e por causa de dois caras incríveis: Henrique Rodovalho e Sandro diLima, nomes importantíssimos na cena cultural da cidade. Um tempo depois, com muitas viagens ai nesse entremeio, eu comecei a escrever sobre música eletrônica. Escrevi para vários veículos importantes, o mais deles certamente foi a MTV – durante um ano fazia as cabeças (aberturas de bloco) do AMP, que infelizmente não existe mais na grade da emissora. E eu fazia isso morando em Goiânia, que sempre foi respeitada pela cena de música eletrônica que tem. Em 2000, junto com o amigo Max Miranda, fizemos uma pocket impressa chamada Little – especializada no assunto – que teve, entre cinco edições, uma com circulação nacional. Todas gratuitas. Também produzi vários eventos no decorrer destes anos, e posso citar o eletronica.mente como meu preferido – era semanal, gratuito, uma iniciativa única no País, que acontecia às sextas no Centro Cultural Martim Cererê, à convite de Carlos Brandão, O CARA da cultura goiana. O eletronica.mente deixou uma marca e um legado: muita coisa boa aconteceu ali e a partir então. Tenho muito orgulho de todas as suas crias. E foi lá que conheci o Oscar Fortunato. Nos casamos e isso já  tem sete anos… o tempo realmente voa.

Qual a influência das artes visuais e plásticas na sua vida?

Sempre gostei de Arte. Tanto é que me casei com um artista plástico. Isso significa que eu acompanho, muito de perto, a produção de um artista profissional, com um trabalho 100% autoral, que ao contrário de muitos não terceiriza nenhuma etapa de todo o processo, da criação à obra de arte pronta. Isso é escola!

De onde veio o interesse em trabalhar com obras de arte?

No início de 2009, abrimos o Atelier Oscar Fortunato, no Setor Sul em Goiânia. Eu era gerente de marketing de uma empresa de segurança com mais de mil funcionários e sai do emprego para formalizar algo que já  acontecia há alguns anos: cuidar da carreira do Oscar. E os amigos artistas sempre me respeitaram muito – reciprocidade de uma convivência harmônica. E sempre insistiram comigo para cuidar também de suas carreiras. Como eu acredito MUITO na coletividade, e adoro dizer que bem acompanhados vamos para QUALQUER lugar, a Plus realmente foi inevitável, dentro de uma sequência de ideias que pretendo executar.

Qual a linha de segmento que as obras de arte da galeria seguem?

Temos desenhos em várias técnicas (pastel seco, pastel oleoso, spray, nanquim, acrílica, óleo), objetos, telas (acrílico e óleo), gravuras, monotipias, serigrafias, assemblages, em diferentes formatos, incluindo grandes. Mais de vinte artistas plásticos integram hoje o coletivo, somando neste exato momento cento e sessenta e oito obras.

A absorção e entendimento da obra de arte é algo extremamente pessoal e na maioria das vezes considerado difícil pelas pessoas leigas no assunto. Com o crescente aumento da interatividade tecnológica informacional, o público tem recebido com maior facilidade novas ideias e conceitos. Você acha que a interação de tecnologia (internet) e obras de arte tem facilitado esta inter-relação?

A Internet não facilitou só isso, facilitou tudo. E eu gosto muito deste ambiente, sou online desde 1995. Quando soube que existia tal coisa, imediatamente aderi. Neste inicio, pouquíssimas pessoas tinham e-mail, site, não havia nenhum serviço disponível de bancos, lojas online. Acompanhei toda essa evolução bem de perto. As redes foram ficando cada vez mais sofisticadas e hoje tenho conexões incríveis, muitas delas apenas possíveis graças à Internet. Sou apaixonada. Sempre fui!

Manter uma galeria virtual pode ser considerada uma tentativa de luta contra o desinteresse de algumas pessoas sobre a arte?

Luta? Não, é prazer. Tem pessoas de todos os tipos no mundo, e eu acredito que haja espaço para todas elas. Pessoas desinteressadas sempre vão existir. Eu quero me aproximar de gente interessante, que se não tem (ainda) um olhar treinado, que tenha uma cabeça aberta para o novo. A arte trata do novo, não da novidade emergente que a mídia trata, mas de um novo universo que se abre para quem se abre a ele.

Quais são os critérios para a integração e seleção dos artistas no espaço da galeria?

São artistas que tenho profunda admiração pelo trabalho e que têm, ou pretendem ter, uma carreira profissional sólida, consistente. Artistas que freqüentam meu mundo e que também me permitem freqüentar o deles. Trocamos idéias, queremos todos a mesma coisa: um mercado decente, porque artistas são profissionais como outros. Não basta ter talento para ser um artista. Existe o estudo, a técnica, a paciência, a persistência, os muitos erros para alguns acertos, enfim, uma série de fatores que diferenciam uma pessoa que gosta de pintar de um artista de fato.

Há na Galeria Plus uma tentativa de aproximação do grande público com as obras de arte, uma vez que ela é considerada como algo de consumo das elites?

É falta de informação achar que apenas uma classe economicamente privilegiada possa ter acesso à arte. Mesmo artistas renomados têm obras com preços acessíveis. Se não um óleo sobre tela de 4 metros quadrados, mas uma obra de menor formato, ou em papel, até mesmo uma gravura (múltiplos). Existem também jovens artistas ascendentes. Existem artistas que querem que sua arte seja sempre acessível. E também iniciativas muito bacanas como a Free Art, que acontece em São Paulo organizada pelo artista Gejo O Maldito, onde as pessoas podem pegar uma obra de Arte na exposição, gratuitamente.

Quais as vantagens para as pessoas de ser trabalhar com obras de arte pela internet?

São muitas as vantagens: funcionar, em plena atividade, 24 horas por dia, 365 dias no ano, e como somos bilíngües (português/inglês), entendidos por quase todo o mundo. Ainda a disponibilidade e praticidade: nossos clientes têm todo o tempo pra apreciar tudo, sem ninguém interferindo ou tentando influenciar, e a transparência dos preços com práticas e seguras formas de pagamento : Paypal – o futuro/presente de todas as compras na Internet –, ou pagamento via Banco do Brasil.
A PLUS ainda oferece outros canais de interatividade nos quais os clientes podem trocar idéias, inscrever-se em nossa newsletter, tirar dúvidas, deixar sugestões, elogiar, etc.

 

A Galeria Plus com certeza possui seus interesses mercadológicos, mas qual a intenção da própria galeria por si só existir no mercado cultural goiano?

Eu estou em Goiânia. Eu sei que é uma cidade ainda muito jovem, e isso significa um monte de coisas, negativas inclusive. Mas com a velocidade da contemporaneidade, rapidamente ela vai crescer. E aparecer!  Como uma capital de várias frentes, e porque não, como uma capital da Arte.

 

Alex Mateus
Colunista do site SiJoga.com
Jornalista, pesquisador linguista e performer nas horas vagas.
Contato:  mateusss.jor@gmail.com

1 comentário

  1. Mateus Matins

    Gostei muito Parabêns. Abraço

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *